machismo

 

Olá, hoje está saindo vídeo um pouco mais cedo. E o tema de hoje envolve uma nova categoria que estava querendo trazendo para o canal, e para o primeiro vídeo estreante dele trouxe um tópico que estava a muito tempo com vontade de conversar com vocês. 🙂

Por favor, me falem o que você acharam dessa nova categoria e, claro, de compartilhar a experiencias de vocês sobre o vídeo.

Coisas que citei no vídeo:
fotógrafa Laura Dodsworth
fotógrafo Justin Bartels
Matéria que mostra o instagram das fotos dos mamilos 








 


11028028_786996538015773_6481840200266346934_nEspero que esse texto não fique chato.

Todas as mulheres cis ou trans precisam do Feminismo.

O movimento feminista é um movimento político cuja meta é conquistar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, isto é, garantir a participação da mulher na sociedade de forma equivalente à dos homens. Além disso, o movimento feminista é um movimento intelectual e teórico que procura desnaturalizar a ideia de que há uma diferença entre os gêneros. No que se refere aos seus direitos, não deve haver diferenciação entre os sexos.

Esse sistema de diferenciação entre homens e mulheres, onde o homem é superior, nós chamamos de patriarcado e se consolidou com o capitalismo.

O feminismo é um movimento que tem origem no ano de 1848, na convenção dos direitos da mulher em Nova Iorque. As feministas estadunidenses lutavam pelo direito ao voto.

O movimento feminista também começa a ganhar corpo na Revolução Industrial, quando a mulher assume postos de trabalho e é explorada pelo fato de que assume uma tripla jornada de trabalho, dentro e fora de casa.

A publicação do livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, em 1949, viria influenciar os movimentos feministas na medida em que mostra que a hierarquização dos sexos é uma construção social e não uma questão biológica. Ou seja, a condição da mulher na sociedade é uma construção da sociedade patriarcal. Assim, a luta dos movimentos feministas, além dos direitos pela igualdade de direitos incorpora a discussão acerca das raízes culturais da desigualdade entre os sexos.

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O feminismo passou por três ondas e possui diversas linhas, eu (Dandara) e a Lena somos da linha do feminismo interseccional, mas existe o feminismo radical, liberal, anarquista, socialista… (Explicar todas as ondas e todas as linhas vai deixar esse post gigantesco, mas se vocês se interessarem pelo tema, podemos fazer outros posts explicando melhor).

De acordo com a professora estadunidense Kimberlé Crenshaw, Intersecionalidade é “a visão de que as mulheres experimentam a opressão em configurações variadas e em diferentes graus de intensidade. Padrões culturais de opressão não só estão interligados, mas também estão unidos e influenciados pelos sistemas intersecionais da sociedade. Exemplos disso incluem: raça, gênero, classe, capacidades físicas/mentais e etnia”.

CULTURA DO ESTUPRO

Cultura do estupro é quando você culpa a vítima pela violência sexual que ela sofreu. É quando você questiona as roupas que ela estava usando, se ela consumiu álcool ou drogas, o local que ela estava e etc. Enfim, é jogar na vítima a culpa pela violência, como se ela pudesse ter feito algo para evitar. Estupro é um crime hediondo onde a vítima tem que provar que é inocente.

ABORTO

O debate sobre a questão do aborto no Brasil ainda é moralista. Ainda julgamos as mulheres que engravidam e não desejam ser mães, sob a ótica conservadora e cristã. Em um país onde educação sexual nas escolas e vacinação contra HPV para adolescentes causam polêmica sobre “incentivo ao início da vida sexual”, não podemos discutir aborto com um viés moralista.

A cada dois dias uma brasileira morre em decorrência de um aborto ilegal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de mulheres no país se submetem a abortos clandestinos todo ano. Aborto é uma questão de saúde pública.

Além do viés moralista, infelizmente também é uma questão criminal. Estabelecido como crime pelo Código Penal, o aborto é permitido no Brasil em apenas três situações: quando não há outra forma de salvar a vida da gestante; quando a gravidez é decorrente de estupro e a mulher ou representante legal dela opta por interromper a gravidez e em casos de diagnóstico de anencefalia.

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No entanto, apenas 65 unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) estão aptas a realizarem o procedimento do aborto legal. Em 2013, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 1.523 casos de aborto legal.

A OMS estima que, a cada ano, são feitos 22 milhões de abortos em condições inseguras, levando à morte cerca de 47 mil mulheres, além de causar disfunções físicas e mentais em outras 5 milhões.

Precisamos falar sobre o aborto, precisamos desconstruir a visão machista da sexualidade feminina, precisamos dar o direito de escolha à mulher sobre a sua sexualidade e o seu corpo. Dentro da discussão do viés moralista, argumenta-se que vão aumentar o número de abortos se o procedimento for descriminalizado, como se fosse uma decisão simples. As mulheres abortam mesmo com a proibição, os únicos números que com certeza vão diminuir são mulheres mortas na clandestinidade.

FEMININOS E A POLÍTICA

Parlamentares homens, brancos, heterossexuais são maioria no Congresso, 70% deles são latifundiários ou empresários. Nesse sistema as mulheres tem pouca ou quase nenhuma representatividade. Uma das principais reivindicações do movimento feminista é a equiparação salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função, mas está travada no Congresso Nacional há muito tempo. As mulheres seguem ganhando cerca de 70% do salário dos homens, além de realizar gratuitamente e quase exclusivamente o trabalho doméstico.

Os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres são constantemente atacados por parlamentares da bancada religiosa, que vem crescendo a cada eleição devido ao poder econômico das igrejas.

Para mudar esse quadro e garantir os direitos das mulheres, temos que lutar pela Reforma do Sistema Político. Mas para que essa reforma atenda essas demandas, é necessário atacar as bases do patriarcado no Estado.

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O patriarcado organiza a sociedade e o Estado ao redor da superioridade masculina, e isso se dá na economia, na política, na cultura, nas relações sociais, na família e nas instituições. Ele se faz presente na divisão sexual do trabalho, onde as ocupações masculinas são mais valorizadas e relacionadas com posições de liderança, e as femininas são mais desvalorizadas e relacionadas principalmente a trabalhos de cuidado.

Para despatriarcalizar o Estado é preciso aumentar a participação da mulher na política e mudar o financiamento das campanhas. A maioria dos partidos políticos não colocam mulheres como suas candidatas principais ao Congresso, e os financiadores das campanhas também não.

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Uma das reivindicações da Reforma Política é a alternância de gênero na lista fechada de votação. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) defendeu a lista fechada com alternância de gênero quando fez parte da Comissão de Reforma Política no Senado, como um dos meios de acabar com a sub-representação feminina no Parlamento.

Com a alternância de gênero as candidaturas de mulheres ao Congresso deixariam de ser secundárias. A lista será formada pelo partido, se o primeiro nome for de um candidato homem, o segundo nome deverá ser de uma mulher.

Precisamos de parlamentares mulheres, principalmente progressistas, no Congresso Nacional para que suas reivindicações sejam ouvidas.

MITOS

Para ser feminista sou obrigada a parar de me depilar? Preciso parar de usar maquiagem? Não posso mais dar de quatro?

Todas essas perguntas acima eu (Helena) já escutei demais, e são todas falsas. Porque um dos principais objetivos do movimento feminista é trazer a liberdade da mulher e especialmente ao seu corpo. Ou seja, se a mulher quiser se depilar, ok,  e se ela não quiser é ok também. Isso se enquadra para todas as outras “perguntas” que citei acima.

O objetivo é dar o direito e a liberdade da mulher decidir o que ela quiser, seja para o que for. E o mais importante, no feminismo, é que a decisão seja somente dela, e não de terceiros.
Ah, antes que eu me esqueça, você não precisa odiar homens para ser feminista. Diversas mulheres namoram, são casadas, amam seus pais, irmãos, primos, etc. E isso não as tornam menos feministas.

E ai tiramos as dúvidas de vocês? Caso alguma coisa não esteja esclarecida pode comentar aqui e/ou vir falar com a gente, adoramos debater sobre o assunto.








 

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Hoje é o dia internacional das mulheres, mas será que é um dia para se comemorar?

Em um país aonde nós não podemos nem sair com a roupa que queremos que somos assediadas, em um país aonde as mulheres sofrem de violência física e psicológica da parte do companheiro, aonde continuamos ganhando menos no mercado de trabalho, sendo estupradas, sendo objetificadas. Aonde não temos direito e poder nem no nosso próprio corpo e útero.

E quando ligamos a televisão? Sempre vemos comerciais felizes e contentes,  romantizando e mostrando a nossa “função” perante a sociedade, cozinhar, cuidar dos filhos, e do querido maridão, é claro. Ou então aqueles comerciais de cerveja, como a  da “mulher verão”, em que mostra os homens quase tendo um orgasmo quando a mulher passa para deixar a cerveja para eles. E na novelas? Sempre tem uma mulher como vilã, destruidora de “lares”, e mulheres se odiando e disputando algum homem. Aonde vemos em diversas cenas o personagem homem tendo um ataque porque sua mulher o “desobedeceu”, e foi sambar numa escola de samba (episódio da novela Império, desliguei a tv depois dessa cena ridícula).Também temos o Comendador, mais conhecido como “comedor” nas redes sociais. Aonde vemos que está tudo bem ele ter duas mulheres, mas quando a mulher dele quis se envolver com outro foi um escândalo. E claro, mesmo ele tendo pisado e traído a mulher ela continua devotada a ele. E antes que eu me esqueça, a tv, principalmente um canal aberto, muito famoso entre a nossa sociedade amam objetivar as mulheres negras, deixando com aquela imagem “hey gringo, pode vir, que aqui tem negra pra todo mundo”.

Mas e as redes sociais? Não sei vocês, mas sempre vejo comentários masculinos, e até das próprias mulheres (sim existem mulheres machistas), sobre outras mulheres, chamando as de vaca, e dizendo para se dar o respeito. Ou julgando as mulheres que postam determinadas fotos na internet e seguem algum estilo de vida diferente do deles. E tudo piora quando algum metido a machão, comedor, divulga fotos nuas da atual ou ex companheira nas redes sociais , o que vemos, SEMPRE, escrito nos comentários? “Puta, vagabunda”, e o homem que expôs a intimidade dos dois? Ele continua sendo o fodão.  E quando surge uma campanha contra fotos intimas na internet é sempre ensinando nós, mulheres, a não tirar fotos nuas, e quase nunca tem uma ensinando aos homens a deixaram de serem babacas, e respeitarem a privacidade, intimidade, e principalmente as mulheres. Isso se enquadra, também, a história do “olha como você ta vestida! Ta pedindo pra ser assediada”.

Mas será que o problema só está no Brasil? Na sociedade brasileira? Claro que não. A índia tem um caso famoso aonde uma jovem que saia do cinema com o seu amigo foi estuprada, dentro do ônibus, e morreu quando os violentadores colocaram um tipo de barra de ferro, dentro das genitais, que estourou todos os seus órgãos. E nesses dias, saiu uma entrevista com um dos estupradores que disse que ela só morreu porque reagiu. Temos mulheres também que são condenadas a morte por terem se apaixonado por um homem de religião diferente da sua, mulheres que são vendidas e obrigadas a virarem escravas sexuais, mulheres que tem seus rostos desfigurados porque o maridão jogou ácido nele,  mulheres que são estupradas dentro das universidades. E infelizmente muitos, e muitos casos parecidos e piores do que estes.

Infelizmente se eu continuar esse post não terá um fim. Eu só queria deixar registrado aqui o que penso sobre esse dia, e sobre diversas coisas.  E queria registrar aqui que não, a mulher não saiu vestida na rua para te atrair, nem toda mulher quer casar (eu sou um ótimo exemplo disto), nem toda mulher quer ter filho (novamente eu, junto com a Dandara somos exemplos disto), nem toda mulher gosta de maquiagem, nem toda mulher gosta de homem ( ela não gosta e ponto, e não tem nada a ver porque ela não experimentou um pinto), nem toda mulher é “feminina”, nem toda mulher é delicada, nem toda mulher é magra, nem toda mulher tem cabelo lisos e “perfeitos”, nem toda mulher gosta de flores, bichinhos de pelúcia e qualquer coisa que seja automaticamente ligado sendo como um objeto feminino, e principalmente, nem toda mulher quer fazer sexo com você.

Vale lembrar aqui também, que a mulher “puta” tem o mesmo valor ,e é tão foda e poderosa, quanto uma mulher de “direito”, que tem família, e que frequenta a Igreja. Só pra constar que as duas tem o mesmo valor.

Então deixa eu te dar uma dica final, invés de você dar uma flor, chocolate a alguma mulher hoje, não dê, e não dê nem parabéns, porque ainda não temos motivos para comemorar enquanto essas coisas continuarem acontecendo. Cabe a você saber se vai ajuda-la nessa luta, ou se vai continuar em seu faz de contas. Nós não queremos homenagens, nós queremos direitos. 

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Se você se interessou pelo o assunto deixarei abaixo algumas matérias interessantes.
Brasil está em 7 lugar entre os países que possuem o maior número de mulheres mortas
Em Minas, 17 mulheres morrem por dia vítimas de violência doméstica
MA já registrou 1.300 processos de violência contra mulher em 2015
Mulheres mortas por violência doméstica em 2015
Pesquisa da Onu aponta que
90% das indianas de Déli têm medo de sair na rua

E se você ainda estiver interessado é só dar uma olhada no google, grupos feministas no facebook, ou comentar aqui em baixo e chamar a gente por facebook, adoramos debater sobre o assunto. coracao-1_xl