Resenha: Admirável Mundo Novo

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sinopse

“Admirável Mundo Novo – Ano 634 d.F. (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (pré-condicionados) têm comportamentos (pré-estabelecidos) e ocupam lugares (pré-determinados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime.

Os conceitos de “pai” e “mãe” são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia: acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo. Extraordinariamente profético, “Admirável mundo novo” é um dos livros mais influentes do século 20.” – Skoob

 

o que eu achei

Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932 e é espantoso como Huxley conseguiu enxergar um modelo de sociedade bem além do seu tempo, e que para nós em 2015, é bem plausível. O título do livro foi tirado de “A Tempestade” de Shakespeare.

A linha histórica no livro é dividida em antes de Ford (a.F) e depois de Ford (d.F), semelhante ao antes de depois de Cristo ainda vigente. Todas as religiões foram abolidas, não existem mais doenças, tristeza ou solidão. Todas as pessoas permanecem jovens e saudáveis por toda a vida, que não ultrapassa os 60 anos. A sociedade é divida em castas: Alfas, Beltas, Deltas, Gamas e Ípsilons. O destino, a inteligência e a forma física das pessoas são determinadas enquanto ainda são embriões, e todo o seu desenvolvimento é acompanhado de perto no Centro de Incubação e Condicionamento.

O modelo de família que alguns tanto defendem hoje em dia, é considerado obsoleto e obsceno. A palavra “mãe” é um insulto e a liberdade sexual plena é uma realidade. “Todos pertencem a todos”. Monogamia é um desvio de comportamento.

E todos possuem o soma, um tipo de droga sem efeitos colaterais que afasta as preocupações e te deixa feliz e sereno. Provavelmente o soma foi inspirado no LSD, Huxley foi um entusiasta do uso responsável do LSD como catalisador dos processos mentais do indivíduo, em busca do ápice da condição humana e de maior desenvolvimento das suas potencialidades.

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Como em 1984, as leis não são claras. As pessoas através do condicionamento sabem qual é o seu papel na sociedade, e não tem a capacidade de questioná-lo. Cada casta exerce a sua função, mas ao mesmo tempo não sabem explicar o que de fato fazem. As inovações cientificas e tecnológicas foram desencorajadas, tudo o que é produzido serve de base para aquele modelo estabelecido. As pessoas que não se encaixam são exiladas em ilhas, e acabam vivendo melhor no exílio.

Esse condicionamento criticado no livro não é uma realidade fantasiosa e distante. Há muito tempo somos manipulados pela publicidade por meio de recursos e mecanismos psicológicos que nos levam a comprar um produto, um serviço ou uma ideia.

O conflito na história começa quando Bernard Marx resgata o Selvagem, um homem branco que nasceu e cresceu por acidente em uma tribo. Esse Selvagem começa a questionar a estrutura dessa sociedade até o momento desconhecida para ele.consideraçÑoes finais modelo 2 Esse modelo de sociedade que cultua a juventude, o belo e se medica para se sentir bem te lembra algo? 😉

Já vivemos esse tempo que patologiza a vida, para cada sensação temos um tipo de remédio, fugimos dos problemas e da tristeza. Mas (comentário fútil alert) cadê esse desenvolvimento tecnológico que deixa todo mundo lindo e saudável nas nossas vidas??

Não desenvolvi empatia por nenhum dos personagens, talvez um pouco pela Lenina, mas o Bernard e o Selvagem me irritaram profundamente. Ambos acreditam que são superiores aos seus pares, enquanto criticam a sociedade em que vivem, fazem de tudo para serem aceitos por ela. Principalmente o Selvagem, que cria expectativas na sua cabeça e quando os outros não seguem seu roteiro imaginário ele fica frustrado e violento. Ao meu ver, ele representa a arrogância de um erudito, enfatiza e declama Shakespeare em todas as oportunidades e acredita que é um tipo de salvador dentro daquela sociedade. Tenta libertar pessoas que acreditam já serem livres.

Huxley não explica quem foi Ford dentro daquele contexto ou como aquela sociedade evoluiu daquela maneira, ele simplesmente escancara o resultado. Podemos supor que Ford é uma referência irônica a Henry Ford, pioneiro estadunidense da indústria automobilística e inventor da linha de produção para a fabricação em série de peças. O “fordismo” foi satirizado no filme “Tempos Modernos” do Charles Chaplin, e transformou os trabalhadores em autômatos que repetiam o mesmo gesto ao longo da jornada de trabalho.

Admirável Mundo Novo problematiza até que ponto estamos dispostos a chegar em nome de uma concepção de paz, “felicidade” e desenvolvimento tecnológico. O livro expressa o ceticismo de Huxley em relação a ideia de progresso da época, e alerta para as ameaças do cientificismo e da perda de individualidade.

Mais tarde Huxley retorna a esse mundo com “Despertar do Mundo Novo” e “Regresso ao Admirável Mundo Novo“.

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