11028028_786996538015773_6481840200266346934_nEspero que esse texto não fique chato.

Todas as mulheres cis ou trans precisam do Feminismo.

O movimento feminista é um movimento político cuja meta é conquistar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, isto é, garantir a participação da mulher na sociedade de forma equivalente à dos homens. Além disso, o movimento feminista é um movimento intelectual e teórico que procura desnaturalizar a ideia de que há uma diferença entre os gêneros. No que se refere aos seus direitos, não deve haver diferenciação entre os sexos.

Esse sistema de diferenciação entre homens e mulheres, onde o homem é superior, nós chamamos de patriarcado e se consolidou com o capitalismo.

O feminismo é um movimento que tem origem no ano de 1848, na convenção dos direitos da mulher em Nova Iorque. As feministas estadunidenses lutavam pelo direito ao voto.

O movimento feminista também começa a ganhar corpo na Revolução Industrial, quando a mulher assume postos de trabalho e é explorada pelo fato de que assume uma tripla jornada de trabalho, dentro e fora de casa.

A publicação do livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, em 1949, viria influenciar os movimentos feministas na medida em que mostra que a hierarquização dos sexos é uma construção social e não uma questão biológica. Ou seja, a condição da mulher na sociedade é uma construção da sociedade patriarcal. Assim, a luta dos movimentos feministas, além dos direitos pela igualdade de direitos incorpora a discussão acerca das raízes culturais da desigualdade entre os sexos.

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O feminismo passou por três ondas e possui diversas linhas, eu (Dandara) e a Lena somos da linha do feminismo interseccional, mas existe o feminismo radical, liberal, anarquista, socialista… (Explicar todas as ondas e todas as linhas vai deixar esse post gigantesco, mas se vocês se interessarem pelo tema, podemos fazer outros posts explicando melhor).

De acordo com a professora estadunidense Kimberlé Crenshaw, Intersecionalidade é “a visão de que as mulheres experimentam a opressão em configurações variadas e em diferentes graus de intensidade. Padrões culturais de opressão não só estão interligados, mas também estão unidos e influenciados pelos sistemas intersecionais da sociedade. Exemplos disso incluem: raça, gênero, classe, capacidades físicas/mentais e etnia”.

CULTURA DO ESTUPRO

Cultura do estupro é quando você culpa a vítima pela violência sexual que ela sofreu. É quando você questiona as roupas que ela estava usando, se ela consumiu álcool ou drogas, o local que ela estava e etc. Enfim, é jogar na vítima a culpa pela violência, como se ela pudesse ter feito algo para evitar. Estupro é um crime hediondo onde a vítima tem que provar que é inocente.

ABORTO

O debate sobre a questão do aborto no Brasil ainda é moralista. Ainda julgamos as mulheres que engravidam e não desejam ser mães, sob a ótica conservadora e cristã. Em um país onde educação sexual nas escolas e vacinação contra HPV para adolescentes causam polêmica sobre “incentivo ao início da vida sexual”, não podemos discutir aborto com um viés moralista.

A cada dois dias uma brasileira morre em decorrência de um aborto ilegal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de mulheres no país se submetem a abortos clandestinos todo ano. Aborto é uma questão de saúde pública.

Além do viés moralista, infelizmente também é uma questão criminal. Estabelecido como crime pelo Código Penal, o aborto é permitido no Brasil em apenas três situações: quando não há outra forma de salvar a vida da gestante; quando a gravidez é decorrente de estupro e a mulher ou representante legal dela opta por interromper a gravidez e em casos de diagnóstico de anencefalia.

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No entanto, apenas 65 unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) estão aptas a realizarem o procedimento do aborto legal. Em 2013, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 1.523 casos de aborto legal.

A OMS estima que, a cada ano, são feitos 22 milhões de abortos em condições inseguras, levando à morte cerca de 47 mil mulheres, além de causar disfunções físicas e mentais em outras 5 milhões.

Precisamos falar sobre o aborto, precisamos desconstruir a visão machista da sexualidade feminina, precisamos dar o direito de escolha à mulher sobre a sua sexualidade e o seu corpo. Dentro da discussão do viés moralista, argumenta-se que vão aumentar o número de abortos se o procedimento for descriminalizado, como se fosse uma decisão simples. As mulheres abortam mesmo com a proibição, os únicos números que com certeza vão diminuir são mulheres mortas na clandestinidade.

FEMININOS E A POLÍTICA

Parlamentares homens, brancos, heterossexuais são maioria no Congresso, 70% deles são latifundiários ou empresários. Nesse sistema as mulheres tem pouca ou quase nenhuma representatividade. Uma das principais reivindicações do movimento feminista é a equiparação salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função, mas está travada no Congresso Nacional há muito tempo. As mulheres seguem ganhando cerca de 70% do salário dos homens, além de realizar gratuitamente e quase exclusivamente o trabalho doméstico.

Os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres são constantemente atacados por parlamentares da bancada religiosa, que vem crescendo a cada eleição devido ao poder econômico das igrejas.

Para mudar esse quadro e garantir os direitos das mulheres, temos que lutar pela Reforma do Sistema Político. Mas para que essa reforma atenda essas demandas, é necessário atacar as bases do patriarcado no Estado.

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O patriarcado organiza a sociedade e o Estado ao redor da superioridade masculina, e isso se dá na economia, na política, na cultura, nas relações sociais, na família e nas instituições. Ele se faz presente na divisão sexual do trabalho, onde as ocupações masculinas são mais valorizadas e relacionadas com posições de liderança, e as femininas são mais desvalorizadas e relacionadas principalmente a trabalhos de cuidado.

Para despatriarcalizar o Estado é preciso aumentar a participação da mulher na política e mudar o financiamento das campanhas. A maioria dos partidos políticos não colocam mulheres como suas candidatas principais ao Congresso, e os financiadores das campanhas também não.

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Uma das reivindicações da Reforma Política é a alternância de gênero na lista fechada de votação. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) defendeu a lista fechada com alternância de gênero quando fez parte da Comissão de Reforma Política no Senado, como um dos meios de acabar com a sub-representação feminina no Parlamento.

Com a alternância de gênero as candidaturas de mulheres ao Congresso deixariam de ser secundárias. A lista será formada pelo partido, se o primeiro nome for de um candidato homem, o segundo nome deverá ser de uma mulher.

Precisamos de parlamentares mulheres, principalmente progressistas, no Congresso Nacional para que suas reivindicações sejam ouvidas.

MITOS

Para ser feminista sou obrigada a parar de me depilar? Preciso parar de usar maquiagem? Não posso mais dar de quatro?

Todas essas perguntas acima eu (Helena) já escutei demais, e são todas falsas. Porque um dos principais objetivos do movimento feminista é trazer a liberdade da mulher e especialmente ao seu corpo. Ou seja, se a mulher quiser se depilar, ok,  e se ela não quiser é ok também. Isso se enquadra para todas as outras “perguntas” que citei acima.

O objetivo é dar o direito e a liberdade da mulher decidir o que ela quiser, seja para o que for. E o mais importante, no feminismo, é que a decisão seja somente dela, e não de terceiros.
Ah, antes que eu me esqueça, você não precisa odiar homens para ser feminista. Diversas mulheres namoram, são casadas, amam seus pais, irmãos, primos, etc. E isso não as tornam menos feministas.

E ai tiramos as dúvidas de vocês? Caso alguma coisa não esteja esclarecida pode comentar aqui e/ou vir falar com a gente, adoramos debater sobre o assunto.








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