Especiais

 

Processed with VSCO with a6 preset

Quem me conhece sabe que uma das minhas maiores vontades da vida sempre foi morar fora e ter meu próprio apartamento.  Só que conforme fui crescendo, viajando e principalmente agora, que estou aqui, no meu intercâmbio, prestes a completar 4 meses. Percebo cada vez mais que a felicidade plena só é possível quando estou acompanhada com pessoas de quem eu gosto.

Reparei que não adianta você estar no melhor país do mundo, até porque isso não existe, porque todos os países/cidades tem suas qualidades e defeitos, sem quem você gosta do lado.

E vamos supor o seguinte. Que existisse uma cidade perfeita, onde não tivesse violência, onde todo mundo frequentasse a escola, todo mundo tivesse acesso a saúde e todo mundo tivesse as mesmas chances. Um lugar onde a qualidade de vida é maravilhosa e os animais e a natureza fossem livres e respeitado. Nada disso iria te completar se você não tivesse alguém com quem dividir isso.

happiness-is-only-real-when-it-is-shared

É o mesmo sentimento de quando você vivência suas vitórias e seus fracassos. Naturalmente você sente a necessidade de contar para alguém que é proximo a ti. Pelo menos para mim é assim. E quando eu não o faço me sinto completamente só. A melhor parte de todos os seres vivos é ter companhia e não sei porque o ser humano é o único que gosta de ter atitudes egoístas e achar melhor não demonstrar isso.

A gente não nasceu pra ficar sozinho e ponto, e não estou falando só no sentido romântico da coisa.

Quando a minha mãe veio me visitar matei a saudade dela rapidinho, porque com família geralmente é assim. Mas quando ela foi embora deu um aperto sim! E agora que meu namorado passou quase um mês aqui comigo e acabou de ir embora foi pior ainda. Porque a gente começa a se acostumar novamente com essas pessoas na sua rotina, e na sua vida.

E quando você passa nos mesmos lugares que antes você estava com certa pessoa só que agora você esta sozinha ou com outra pessoa nunca é a mesma coisa, nunca é o mesmo sentimento, tudo muda. Nessas horas você percebe que lar não é casa, não são coisas, lugares, países… nada disso. E sim seres vivos.







Posts relacionados

 

large-7

Desda minha primeira semana que cheguei aqui queria escrever este texto, mas esperei passar um tempo para conhecer mais pessoas e fazer mais amigos. Descobrir outras culturas e o que eles sabiam, e a conclusão foi basicamente a mesma do começo. Precisamos urgentemente ter mais orgulho dos nossos professores de história e de geografia, seríssimo. E consequentemente das nossas escolas.

Brasileiros adoram falar que é tudo de primeiro mundo, e logicamente pensam que escola de primeiro mundo não tem defeito algum. Mas estão muitíssimos enganados. Por que eu digo isso? Pelo simples motivo de que estou cansada de explicar para praticamente todo europeu ou asiático, que conheço, que no Brasil nossa língua mãe não é espanhol e sim português, e que em Julho e Junho é inverno para nós e não verão.

Outro dia mesmo estavamos na sala comentando sobre as típicas festas de cada país, e acabei comentei sobre a festa junina, que nada mais é para celebrar o inverno. Traduzindo para o inglês o nome seria algo como ” june party”, na hora minha amiga olhou pra mim e perguntou “ué, por que vocês comemoraram o inverno no verão? Não faz sentido!”. Sim, eu não estou brincando.

Eu sempre fico pasma com tão pouco de informação que eles sabem sobre os outros países. Por exemplo, eles não sabiam qual era o significado/ação da palavra colonização, e que nem o Brasil e os outros países da America Latina tinham sido colonizados, tentei explicar para eles, mas mesmo assim eles não entenderam. E ficou para meu professor explicar.

O que reparei em um mês e meio aqui é que nossos professores são muito bons, e até mais espertos do que os daqui. Porque aqui eles só aprendem sobre os próprio país e ignoram que tem um resto do mundo inteiro. O que é bem triste, cai entre nós.

Outro ponto muito interessante é que sempre ouvi frases de próprio brasileiros como ” Deus estava criando o Brasil, um país sem terremoto, sem vulcão e sem tornados. Ai perguntaram para ele ‘ que lugar perfeito, sem nenhum defeito. Logo ele  ele respondeu ‘ é porque você não viu o povo que eu vou botar lá'”. Juro que não tem frase mais deprimente do que essa.  Por exemplo, mesmo se a pessoa for teu melhor amigo e estiver passando do lado da tua casa ela não vai te mandar uma mensagem pra te avisar, só se ela for da america latina ou for da personalidade dela mesmo. Pra alguém ir na sua casa ou você ir na casa dela é só ela te convidando e vice-versa e depois de se conhecer durante um certo tempo. Além de que quando eu ofereço ajuda alguém ou empresto algo as pessoas ficam meio que surpresas, e sempre ficam agradecendo como se eu tivesse fazendo o maior feitor da terra. Sério.

Aqui não tem essa coisa de sentar e conversar cara a cara, ser sincero 100%. Se você tiver problema com alguém eles preferem mandar e-mail ou mensagem. Sim, isso mesmo. O que eu acho muito esquisito. Já que eu sempre prefiro conversar e resolver qualquer problema que tivesse com a pessoa cara a cara, mas eles acham essa atitude extremamente rude.

As pessoas quando veem visitando aqui adoram falar que o inglês é super educado, e sério eles realmente são. Mas não confundam educação com empatia. Toda as vezes que eu estive no metro ou em qualquer outra situação e vi alguém passando por alguma situação que precisava de ajuda nenhum, repito nenhum inglês se voluntariou para ajudar, geralmente são sempre imigrantes que ajudam.

E outro fato que estou achando é que a cidade de Londres é extremamente parecida com São Paulo. Por exemplo, aqui também fazem fila para tudo, mas a diferença daqui e para São Paulo é que aqui eles te apressando.  Um dia eu e minha amiga estavamos em um festival, e ela quis ir comprar uma cerveja e ela queria pagar com moeda. No mesmo momento as pessoas do lado começaram acelerar ela e apontar para a carteira dela mostrando para o caixa que ela tinha nota. E eu já passei por coisas parecidas também.

Por isso que digo, pessoas brasileiras, na verdade, pessoas da america latina de modo geral são especiais e não são encontradas facilmente na europa e nem no resto do mundo. A gente deveria se orgulhar mais da nossa empatia pelo próximo. Das nossas músicas, das nossas diferenças, e do que aprendemos nas escolas, e também por aprendemos outras línguas. Poucas pessoas daqui sabem mais do que a própria língua.

E acredite ou não, mas as pessoas que me fizeram gostar mais do Brasil e dar mais valor a eles foram os gringos. Pois toda as vezes, apesar deles não terem noção de geografia e de história que eu falei que era brasileira eles sempre falavam de como as pessoas de lá eram boas e sempre falavam com muito carinho. Além da extrema vontade de conhecer a America Latina no geral. Outro ponto interessante é que eles preferem o português brasileiro ao português de Portugal.

Então me questionei, se pessoas que nem são nativas amam tanto meu país porque eu e tanto outros não o amamos assim?

E sobre as semelhanças entre São Paulo e Londres o que posso adiantar é que aqui o transito é pior, a comida é pior, as pessoas não se ajudam, e a qualidade do metro é pior. Mas temos mais linhas de metro, as pessoas falam mais obrigado e licença (porque tem uma enorme diferença entre simpatia e empatia), e a cidade é mais limpa no geral etc etc, mas esse tema fica para outro dia.







 

Alguns dias atrás numa foto minha no meu instagram eu tinha pedido para vocês perguntarem todas as suas dúvidas e questões que vocês tinham sobre intercâmbio e sobre Londres em si, já que estou aqui. Enfim, gravei um vídeo resposta e aqui está ele.

Espero que ele seja de ajuda para vocês. 🙂


Texto 1: primeiro dias em Londres
Texto 2: morando sozinha
Texto 3: Precisamos ser mais orgulhosos com o nosso país
Texto 4: “casa” são pessoas e não lugares
Texto 5: Londres x São Paulo
Texto 6: O que é ser brasileiro? Ou melhor, o que é ser latino americano?







 

Captura de Tela 2016-06-14 às 13.42.52

No post anterior eu tinha contado um pouco para vocês de como tinha sido meus primeiros dias aqui, do que estava achando das pessoas daqui e da saudades que estava sentido de casa e das pessoas. Tudo isso de uma forma bem ampla. Estive pensando e realmente é difícil encontrar somente um foco quando se sente mil coisas e se vive diversas experiências de uma vez. Mas tentarei focar em somente em um assunto por texto, porque acho que fica mais organizado.

No texto de hoje resolvi focar no fato de estar morando sozinha pela primeira vez Em São Paulo eu morava com a minha mãe, e apesar dela ficar praticamente o dia todo fora, eu tinha a companhia de mais 7 bichos comigo (2 gatos, 2 cachorros e 3 ratinhas). Além de que tinha a faxineira que vinha todos os dias, e tinha alguns parentes que morava perto. E é casa de mãe nunca falta nada.

Aqui apesar de ser uma residência estudantil todo mundo fica fora o dia todo, então dificilmente você cruza com alguém no corredor ou na cozinha. Se você está com fome e abre a geladeira não vai ter alguma comida de mais cedo te esperando, e se você for como eu e odeia cozinhar, vai ter que aprender. Admito que quando eu estou afim sei fazer comida gostosa, então ainda bem que sei fazer boas comidas.

Porque sinceramente as comidas prontas são horríveis, e são super apimentadas e cheias de calorias. Aqui dificilmente você ira achar arroz e feijão para você mesma fazer, o que é um saco. Por isso sempre estou fazendo legumes ou vegetais acompanhados com ovos. E a sua alegria do dia será encontrar produtos de limpeza que você rodava e rodava no supermercado e não encontrava alguns dias atrás.

Você vai falar sozinho várias vezes ao dia, e achar completamente normal. E por esse mesmo motivo vai ficar com um tédio extremo de escutar só você mesmo diversas vezes ao dia. E quando ficar doente não terá mimos e ninguém para te acompanhar no hospital. Aliás se vomitar, ou passar muito mal, não poderá voltar para cama, terá que limpar antes! E você tem que pegar suas correspondências sozinha também e resolver todos seus problemas sozinha também.

Mas calma nem tudo tem seu lado ruim! Você pode chegar e dormir a hora que quiser, comer aonde quiser. Arrotar e soltar vários puns. Sim, mulheres fazem isso também. :O Tirar o sutiã e ficar só de blusa e de calcinha o dia inteiro se quiser. Não fazer absolutamente NADA o dia inteiro, e não ter ninguém do seu lado falando que você não faz nada o dia inteiro, ou sair o dia inteiro e não ter que ouvir que você só sai o dia inteiro. Vá entender.

Você pode decorar as coisas do jeito que quiser e gastar o seu dinheiro da forma que quiser também.

Mas tenho que confessar uma coisa, eu preferiria estar morando na minha casa, porque ainda não estou na minha casa, ainda estou numa residência estudantil. Com meus bichos e com meu namorado ou uma amiga. Ai sim estaria ok. Viver totalmente sozinha continua sendo um pouco solitário pra mim.

Mas isso é a minha opinião, cada uma tem a sua, comente a sua aqui embaixo. 🙂







 

large-1
Você chega no aeroporto seu estômago está quase saindo para fora de ansiedade, misturado com medo e nervosismo do incerto. Mas também está feliz porque você sabe que há muito tempo tem desejado por isso. E ao mesmo tempo tem outro sentimento batendo a sua porta, dos amigos e familiares próximos que você acabou de se despedir e aquela vontade de voltar e dizer “Ei, vou ficar aqui”. Mas você segue.

No avião, se você for como eu, você só torce para não ter muita turbulência. No meu caso, eu não tive muita sorte, por isso diversas vezes ficava acordando e outra hora voltando a dormir.

Vi somente um filme no avião, Carol, muito legal por sinal, se vocês puderem assistir, assistam. Vale a pena. A comida do avião eu não pude aproveitar muito, já que não coloquei que era vegetariana, eu não sabia que tinha que fazer isso para ter pratos de outras opções sem ser de carne. Então comi pouco, não que isso me prejudicou muito. Pois como eu estava no dia anterior e neste dia super nervosa acabou atacando minha gastrite, e não estava conseguindo comer.

Quando olhei na tela do avião, que mostra aonde ele está e reparei que estava quase chegando na Inglaterra, no mesmo momento me deu um desespero e uma angústia e uma pergunta surgiu em minha cabeça “o que eu estou fazendo?”. Afinal eu vim completamente sozinha, se eu ficar doente não terei a minha mãe para me ajudar, não tenho amigos aqui, não tenho meu namorado aqui, não tenho meus bichos aqui. Resumindo não tenho ninguém a não ser eu mesma. O sentimento que dá nessa hora é de voltar pro lugar seguro e tranquilo que eu estava acostumada. Mas novamente a gente continua, e também tem o fato de que sou taurina né, quando boto algo na cabeça não tiro.

Quando você finalmente chega no hotel depois do cansativo voo e de pegar o metrô com muitas malas. Finalmente o cansaço bate e você dorme, acorda por obrigação, porque tem que comer, tomar banho, e ver todas essas coisas. E o mais estranho de tudo é que não tem ninguém ao seu lado para conversar com você, então você simplesmente escuta seus pensamentos, como se alguém tivesse conversando com você. A vozinha da consciência aparece pra te ajudar e diz coisas como “ eu sei que você está cansada e com sono, mas você precisa comer algo para aguentar o dia seguinte”. E eu paro e me toco que não é a minha mãe que está dizendo isso, algum amigo ou meu namorado e sim eu mesma. É engraçado que eu nunca tive tanto tempo sozinha comigo mesma para ter tempo de ficar escutando meus próprios pensamentos durante um longo tempo, é uma experiência completamente nova.

No domingo já instalada na minha acomodação, já tinha resolvido a metade das coisas e no dia seguinte teria que ir na escola fazer o teste de nível, e não tinha ninguém do meu lado para eu poder compartilhar meu nervosismo e a minha ansiedade, só pelo celular e redes sociais. Mas nessas horas, nesses momentos não é a mesma coisa. Na noite deste dia veio um sentimento de solidão horrível, comecei a me perguntar o que tinha feito, e se essa era uma decisão certa. Dormir mais uma noite sem meus bichos do meu lado doí de verdade. Como dizem casa não é um lugar e sim seres vivos. Mas conversei com um outro amigo que também está nessa, há mais tempo do que eu, e eu pude relaxar um pouco.

Após alguns dias, depois dos meus primeiros dias na escola de inglês o que eu posso afirmar é que a vergonha, travamento e gaguejamento que eu tinha por falar em outra língua vai embora. Porque não vai ter alguém para falar por você, resolver seus problemas ou te ajudar. Então você tem que falar, e a cada dia mais você vai relaxando e se acostumando em falar em inglês. Mas tenho que admitir que ainda tem dias que da um leve friozinho na barriga antes de sair do meu quarto, fico com medo de falar algo errado ou alguém não me entender. Mas logo penso “nunca mais verei essa pessoa mesmo.”

Aqui estou com pessoas de diversas nacionalidades e o que eu posso falar até agora é que os asiáticos são os mais simpáticos, acabei me dando muito bem com uma coreana, gostamos das mesmas coisas e surpreendentemente ela é a única pessoa de todo mundo que conversei até agora (incluindo ingleses) que assiste e gosta de Game Of Thrones. Também não entendo isso.

O lado bom daqui é que por estar em outro país e também longe de outras pessoas não tenho que escutar pessoas me repreendendo por causa do meu cabelo, por exemplo, ou por causa das minhas tatuagens. Isso é encarado como algo natural, afinal o que cada um faz com seu corpo é de sua autonomia. Mas em compensação o assédio na rua vem quando você, mulher, está sozinha, o que eu acho pior, já que é quando você se sente mais vulnerável, isso mostra de certa forma que os caras aqui tem vergonha de assediar quando você está com alguém, mas se sentem mais seguros quando você está sozinha..preocupante.

Em uma semana aqui você aprende dar mais valor para o Brasil e seus amigos do que anos morando ai, tu não faz ideia, eu juro. Só nesta semana toda vez que eu conto da onde sou as pessoas adoram saber, e sempre falam “everyone loves Brazil”. Outro dia eu estava escolhendo um lanche com uma amiga que também é brasileira, e nesse dia eu estava morrendo de saudades de falar em português, porque só estava falando em inglês desde quando cheguei praticamente. E atendente do pub virou e falou “ que língua vocês estão falando?” respondemos e logo ela falou “ eu não entendo nada, mas sooa tão lindo”. E aqui não tem “bicha pague meu dinheiro”, também não tem “tranquilo e favorável”, e como minha amiga disse para mim neste dia, quando ela fez a dança deste último as pessoas daqui perguntaram se ela surfava. WTF? São essas pequenas coisas que fazem tu ver que o Brasil e as pessoas dai são realmente especiais, apesar de todas coisas ruins que tem acontecido.

Para finalizar este primeiro texto que acho que está enorme, é que se em apenas uma semana eu senti e vivi todas essas experiências imagina o que mais está por vir.