Cultura

 

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A 87ª cerimônia do Oscar, que acontece no dia 22 de fevereiro, celebrará os verdadeiros donos da indústria do entretenimento estadunidense: o homem branco.

Apesar dos tímidos avanços da última edição e da escolha de Cheryl Boone Isaacs como primeira mulher negra a presidir a organização, o Oscar ainda não está disposto a contestar a hegemonia branca masculina.

Após a divulgação da lista dos indicados, uma onda indignada tomou as redes sociais com as hashtags #OscarsSoWhite (Oscar tão branco) e #whiteOscars (Oscar branco). Nenhum ator negro foi indicado (apesar de “Selma” concorrer a melhor filme) e nenhuma mulher aparece nas categorias de direção, roteiro e fotografia. Dentre indicados a filme, nenhum tem protagonista mulher. É a primeira vez que isso acontece desde 2006.

Da esq. para dir., Marion Cotillard, Reese Witherspoon, Felicity Jones, Julianne Moore, Rosamund Pike, Bradley Cooper, Benedict Cumberbatch, Steve Carell, Michael Keaton, Eddie Redmayne, Meryl Streep, Keira Knightley, Emma Stone, Laura Dern, Patricia Arquette, Robert Duvall, Ethan Hawke, Edward Norton, J.K. Simmons e Mark Ruffalo foram indicados ao Oscar 2015 (Foto: Reuters/Files)

Da esq. para dir., Marion Cotillard, Reese Witherspoon, Felicity Jones, Julianne Moore, Rosamund Pike, Bradley Cooper, Benedict Cumberbatch, Steve Carell, Michael Keaton, Eddie Redmayne, Meryl Streep, Keira Knightley, Emma Stone, Laura Dern, Patricia Arquette, Robert Duvall, Ethan Hawke, Edward Norton, J.K. Simmons e Mark Ruffalo foram indicados ao Oscar 2015 (Foto: Reuters/Files)

A academia ao esnobar a diretora e os atores de “Selma” deixou claro que não entendeu ou não se importa com o atual conflito social e racial do seu país, com as grandes mobilizações de massa em apoio a Ferguson, pedindo o fim do genocídio da população negra. Selma retrata a trajetória de Martin Luther King Jr, ironicamente lançado em um ano que reacendeu as marchas da população afro-americana por direitos, mas dessa vez não tão pacíficas.

Mas ao olhar para os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood podemos entender onde começa a falta da diversidade. Segundo levantamento publicado pelo “Los Angeles Times”, dos mais de 6 mil membros, 94% são brancos, 77% são homens, e 86% têm mais de 50 anos.

David Oyelowo não foi indicado como melhor ator por sua interpretação de Martin Luther King em “Selma”, mas Bradley Cooper emplacou sua terceira indicação em três anos por “Sniper americano”.

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Dos indicados à principal categoria do Oscar 2015, apenas “Selma” fala sobre negros. Os outros sete filmes são sobre um atirador de elite das forças especiais da marinha americana (“Sniper americano”); um ator decadente de filmes de super-herói (“Birdman”); a passagem do tempo na vida de um garoto de classe média (“Boyhood”); um dedicado gerente de hotel na Europa oriental (“O grande hotel Budapeste”); o matemático e pioneiro na computação Alan Turing (“O jogo da imitação”); o físico teórico e cosmólogo Stephen Hawking (“A teoria de tudo”); e sobre um baterista de jazz (“Whiplash”).

Dessa lista sete são dirigidos por homens brancos, menos “Selma”, de Ava DuVernay,que no domingo 11 havia sido celebrada como a primeira afro-americana indicada na categoria no Globo de Ouro.

“Quem pensou que este ano ia ser como no ano passado é retardado. Uma vez a cada dez anos mais ou menos recebo telefonemas de jornalistas sobre como as pessoas estão aceitando filmes com pessoas negras. Antes do ano passado, foi em 2002 com Halle Berry, Denzel Washington, e Sidney Poitier. É um ciclo de 10 anos”, disse o diretor Spike Lee ao site The Daily Beast.

Ava DuVernay (acima), diretora de ‘Selma’. (Da esq. para dir.) Bennett Miller, Richard Linklater, Wes Anderson, Morten Tyldum e Alejandro G. Inarritu foram indicados ao Oscar 2015. (Foto: Reuters/Kevork Djansezian/Files)

Ava DuVernay (acima), diretora de ‘Selma’. (Da esq. para dir.) Bennett Miller, Richard Linklater, Wes Anderson, Morten Tyldum e Alejandro G. Inarritu foram indicados ao Oscar 2015. (Foto: Reuters/Kevork Djansezian/Files)

As mulheres só estão presentes na premiação desse ano porque existem categorias que exigem a presença delas. Em 87 anos de premiação, quatro diretoras foram indicadas, sendo Kathryn Bigelow a única a ganhar, por “Guerra ao terror”, em 2010.

Gillian Flynn, autora do best-seller “Garota exemplar”, escreveu a adaptação para o cinema e teve seu trabalho ignorado. Nos últimos 20 anos, só Diablo Cody e Sofia Coppola ganharam o Oscar de roteiro original. E quatro mulheres – Ruth Prawer Jhabvala, Emma Thompson, Fran Walsh e Phillipa Boyens – ganharam de melhor roteiro adaptado desde 1993.







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A exposição “O mundo segundo Mafalda”, que comemora os 50 anos da personagem, chegou a São Paulo no dia 17 de dezembro e fica até o dia 28 de fevereiro, na Praça das Artes, com entrada gratuita.

A exposição foi idealizada pela conterrânea de Quino, Sabina Villagra, e trazida ao Brasil pela Fundação Theatro Municipal de São Paulo em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e o programa São Paulo Carinhosa, da primeira-dama da capital Ana Estela Haddad.

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Mafalda é a personagem mais famosa do cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado Tejón, conhecido como Quino. A pequena contestadora foi desenhada entre 1964 e 1973, nas palavras de seu criador, Mafalda ama os Beatles, a democracia, os direitos das crianças e a paz, nesta ordem, odeia sopa (alusão ao autoritarismo), armas, guerras e James Bond.

A exposição possui diversos ambientes que recriam as tirinhas de Quino, como o carro em que Mafalda passeava com sua família, uma antiga vitrola, diversos globos que representam a visão da Mafalda sobre o mundo, e um espaço interativo para as crianças.

Mafalda 3

Mafalda ainda é atual, é um dos quadrinhos mais usados em vestibulares e livros didáticos. Quino parou de desenhar a personagem cinco dias depois de um dos dias mais trágicos da história argentina, o massacre de Ezeiza.

“Deixei de desenhar a Mafalda num momento em que na Argentina já corria sangue e havia uma situação muito perigosa. Mafalda não podia ignorar os crimes, nem nada disso, mas se os comentasse quem não poderia comentar mais nada seria eu”, declarou Quino ao receber uma homenagem na Feira Internacional do Livro (FIL) de Buenos Aires.

Mafalda Quino

endereço e horario modelo 2“O mundo segundo Mafalda”

Praça das Artes – Avenida São João, 281, Centro, São Paulo

Diariamente das 9h às 20h até 28/02

Entrada gratuita

 







 

cairo

Sexta é dia de Psycho Indica e de Playlist. Aproveitando que estamos no meio da campanha 16 dias de ativismo, vou falar sobre cinco filmes que retratam a violência de gênero.

A campanha “16 dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres” é uma mobilização mundial com adesão de cerca de 160 países, que começa no dia 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Aqui no Brasil, seu início é antecipado para o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. O tema da campanha desse ano é “Você pode cometer muitas violências sem perceber”.

Segundo a das Nações Unidas (ONU), uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo forçado e 133 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital. No Brasil, em 2012 o número de estupros denunciados superou o número de homicídios, foram registrados 50,6 mil ataques contra mulheres.

A violência contra a mulher está presente de várias formas em nosso cotidiano, desde as mais perceptíveis como as agressões físicas e sexuais, para as mais silenciosas como a psicológica, moral e patrimonial. O enfrentamento a violência contra a mulher encontra na arte uma forma didática de problematizar o tema.

 

“Cairo 678” é um filme egípcio dirigido por Mohamed Diab. Inspirado em histórias reais, o filme conta a história de três mulheres de classes sociais bem diferentes, que sofreram agressões sexuais no Cairo, mas que acabam se conhecendo e influenciando como a sociedade local lida com a violência de gênero.

 

“Amor?”, dirigido pelo brasileiro João Jardim, é uma mistura de documentário com ficção, sobre relações amorosas que envolvem alguma forma de violência.

 

O filme estadunidense “Preciosa – Uma História de Esperança” problematiza vários tipos de violência em uma só personagem. Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente de 16 anos, pobre, negra e gorda, que sofre uma série de privações durante sua juventude. Violentada pelo pai e abusada pela mãe ela cresce introspectiva. Ajudada por uma professora, ela é mandada para uma escola alternativa. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação.

 

“Depois de Lúcia” é um filme mexicano dirigido por Michel Franco. Quando a esposa de Roberto (Gonzalo Vega Jr.) morre, a relação dele com sua filha Alejandra (Tessa Ia), de 15 anos, fica abalada. Para escapar da tristeza que toma conta da rotina dos dois, pai e filha deixam a cidade de Vallarda e rumam para a Cidade do México em busca de uma nova vida. Alejandra ingressa em um novo colégio, e sentirá toda a dificuldade de começar de novo quando passa a sofrer abusos físicos e emocionais. Envergonhada, a menina não conta nada para o pai, e à medida que a violência toma conta da vida dos dois, eles se afastam cada vez mais.

 

O curta “Guerreiras do Brasil”, dirigido por Cacau Amaral, traz 40 mulheres, das cinco regiões brasileiras, que se reúnem em uma ilha no Rio de Janeiro e usam o hip hop para gritar pela eliminação da violência contra a mulher. O curta surgiu a partir do projeto “Minas da Rima – As Mulheres do Hip Hop unidas pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres”.







 

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Hoje é sexta-feira dia de Psycho Indica, para vocês terem ideias do que fazer neste fim de semana.

Hoje irei falar um pouquinho da Bienal de Arte que acontece todo ano aqui em São Paulo, e sempre que posso tento comparecer, porque tem umas coisas super diferentes e interessantes.

A Bienal conta com diversos artistas brasileiros e estrangeiros, não irei citar todos porque é muita, mas muita gente. Porém alguns me chamaram atenção, como os retratos de criminosos anônimos estampados em páginas policiais de jornais paraenses transformados em pinturas gigantes em uma das paredes do local, a obra foi intitulada como ‘Sem Título’ de Éder Oliveir.

Também me chamou a atenção a obra ‘Histórias de Aprendizagem’ de Voluspa Jarpa, a obra ‘Manto’ da artista peruana Julia Paucar, obra ‘AfroUFO’ de Tiago Borges e Yonamine, entre outras tantas que são belíssimas.

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A proposta deste ano para a sua 31ª edição, sob o título “Como (…) coisas que não existem”, os curadores Charles Esche, Galit Eilat, Nuria Enguita Mayo, Pablo Lafuente e Oren Sagiv, em colaboração com as equipes internas da Fundação Bienal, propõem uma discussão sobre como as coisas que não existem podem ser trazidas à existência, de modo que contribuam para uma visão diferente do mundo, por meio de experiências e emoções que não estão presentes nas análises corriqueiras da vida humana. Resumindo, está cheio de artes malucas, mas bem interessantes, afinal acho que arte é um pouco disso, de ser maluco.

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A programação da Bienal está repleta de encontros com especialistas em arte contemporânea, visitas orientadas, cursos, encontros abertos, projetos e workshops − sem falar de toda a mostra, que está imperdível. É a chance de conhecer obras de artistas emergentes! Abaixo vou deixar vocês com mais algumas fotos das obras.

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31ª Bienal de Artes de São Paulo
Data: até 7 de dezembro de 2014.
Horário: terças, quintas, sextas, domingos e feriados, das 9h às 19h (com entrada até às 18h); quartas e sábados, das 9h às 22h (com entrada até às 21).
Local: Pavilhão da Bienal.
End.: Avenida Pedro Álvares Cabral, s.n. — Parque do Ibirapuera — Portão 3 — zona Sul — São Paulo.
Grátis.
Tel.: (11) 5576-7600.
www.31bienal.org.br

 







 

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Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, nascida no dia 5 de junho de 1921, em Curvelo, e assassinada em 1976, 14 de abril, no Rio de Janeiro. Foi uma estilista brasileira,  mãe de Stuart Angel Jones, integrante da luta armada contra a ditadura no Brasil,  e da jornalista Hildegard Angel.

Zuzu foi uma personagem notória do Brasil na época da ditadura militar, ficou conhecida nacionalmente e internacionalmente não apenas pelos seus trabalhos inovadores como estilista de moda, mas como também por sua incansável procura pelo seu filho, militante de organizações extremistas, assassinado pelo governo e transformado em desaparecido político, ela enfrentou as autoridades da época e tornou sua busca conhecida no exterior.

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Juntando estes fatores históricos mais o detalhe que este ano faz 50 anos desde do golpe militar, o Itaú Cultural decidiu abrir uma exposição sobre está incrível mulher, “A 17 edição do programa Ocupação Itaú Cultural homenageia uma das mais singulares mulheres da nossa história: Zuleika Angel Jones (1921 – 1976), a Zuzu Angel. Responsável por colocar o Brasil no circuito internacional da moda, a estilista dedicou sua vida e sua produção à luta contra a ditadura militar e à busca pela verdade sobre o desaparecimento de seu filho, Stuart Angel Jones – torturado e morto pelo regime. O evento conta com exposição, performances, encontros, oficinas e mostra de filmes.”, trecho retirado do jornalizinho de informações do itaú cultural, são distribuídos na entrada da exposição.


O QUE EU ACHEI

A exposição tem no total quatro andares, o térreo, dois subterrâneos e o primeiro andar. Todos tem temáticas diferentes conforme a coleção de roupas apresentadas, mas o que mais gostei foi como os organizadores colocaram em pratica a interatividade do evento com o publico. As pessoas podem desenhar, deixar recados, escrever cartas e muito mais.

Alem disto as informações e os dados colhidos são muito ricos, você consegue ter uma experiencia bem unica a cada ambiente que você visita, tem uma linha do tempo no térreo, com pequenas informações interessantíssimas, alem de pequenos bancos que o publico pode sentar e ler algumas revistas, ou livros, da época, que falavam da Zuzu.

Resumindo, vale muito a pena, principalmente pelo fato que mostra como a moda pode refletir temas importantes  sombrios, como a ditadura. Abaixo separei algumas fotos, minhas preferidas, da exposição. Espero que gostem.
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ENDEREÇO E HORÁRIO

Av. Paulista, Itáu Cultural, número 149.

Terça a sexta, 9h às 20h
Sábado, domingo e feriados 11h às 20h

Exposição começou no dia 1 de abril e vai até 11 de maio 2014! E a entrada é gratuita! Não percam, vale muito a pena.