Pulp Fiction: o moralismo de Tarantino

Voltando com o especial “Diretores que amamos: Quentin Tarantino” \o/. Já viram que eu sou meio enrolada com esses especiais né? Estou tentando melhorar, eu jurooo!! Mas então, vocês podem ler a resenha do primeiro filme, Cães de Aluguel, aqui.

Hoje vamos falar sobre Pulp fucking Fiction!

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Pulp Fiction foi lançado em 1994 com orçamento de 8 milhões de dólares (menos do que o cachê de Bruce Willis em Duro de Matar 3) e conseguiu atrair nomes como Willis, John Travolta, Samuel L. Jackson e Uma Thurman graças ao roteiro. Na época Jackson disse que foi o melhor roteiro que ele já tinha lido.

Cada cena/capítulo é tratada como uma história em si, mas que se conectam fora de ordem. Assim como Cães de Aluguel, Pulp começa num café, com um jovem casal (Tim Roth e Amanda Plummer) conversando antes de decidir roubar o lugar. A próxima sequência traz dois matadores, Vincent e Jules (John Travolta e Samuel L. Jackson), que estão vestidos como os bandidos de Cães: terno preto, camisa branca e gravata.

Jules é um cara normal que por acaso ganha a vida matando gente. Vincent é um junkie nas horas vagas e acaba de voltar de Amsterdam.

Em outra sequência Vincent leva Mia (Uma Thurman), a esposa do chefão Marsellus (Ving Rhames), para sair a pedido dele. Esse encontro gera o maior capítulo do filme. Nele Steve Buscemi foi ironicamente transformado de Sr. Pink, que não dava gorjeta em Cães de Aluguel, a um garçom Buddy Holly deprimido.

Sábado a tarde

Pulp retrata vários níveis de crime. Quando os personagens de Tarantino sacam armas, como fazem com frequência, nunca se sabe se eles explodirão a cabeça um do outro, se vão fazer um discurso (frequentemente fazem ambos), vão virar a mesa ou farão uma retirada honrada e pacífica. Tarantino faz filmes que retrabalham trechos de seus filmes favoritos em que todos seus atores preferidos atuam.

Ele segue um certo padrão no clímax das cenas violentas, um padrão que começou com o Sr. Blondie em Cães. Em Pulp esse padrão acontece em dois momentos, no primeiro quando Jules enrola para matar seu alvo, que se contorce sentado, ponderando qual tipo de hambúrguer é o melhor. E no segundo quando Buth (Bruce Willis) e Marsellus se encontram amarrados e amordaçados, sendo encharcados com gasolina por uma dupla bizarra.

Para Tarantino, Pulp tem um espírito abertamente cômico do começo ao fim. E de acordo com ele, inconscientemente seus filmes seguem o velho Código Hays: você pode fazer o que quiser nos primeiros oitenta e oito minutos, desde que nos últimos dois haja algum pagamento pelo que os personagens fizeram. Ou seja, os finais de Cães e Pulp são moralistas.

Jules começa o filme apenas fazendo seu trabalho (matando) e termina refletindo sobre versos do livro de Ezequiel enquanto tenta descobrir onde ele fica no esquema moral das coisas.

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