intercâmbio

 

01. você acha que a qualquer momento vai acordar no seu antigo país
A todo momento, principalmente nas minhas primeiras semanas aqui em São Paulo, eu achava, literalmente, e teve até umas duas vezes em que eu acordei achando que eu estava em Londres. Até eu me tocar depois daqueles cinco segundos em que o cérebro começa a raciocinar que não estava mais.

02.  parece que você teve duas vidas
Eu tive uma vida aqui aonde cresci, estudei, tive/tenho meus amigos e a minha família. E outra em Londres, onde estudei, também tenho meus amigos e por sorte também tenho minha família. É como ter duas histórias em dois lugares, de modo literal, são dois continentes diferentes,  duas culturas distintas, línguas e tudo diferentes e vivido tudo de novo, e de forma nova com outras pessoas.

 03. você viveu muitas, MUITAS coisas, mas a sua vida daqui ficou parada
Quando você volta o que você mais sente primeiro, pelo menos o que eu mais senti, logo de cara, é que eu tive várias experiências, mudei radicalmente e a vida que eu deixei aqui no Brasil um ano atrás continuou igual. Não mudou nada.

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04. você se sente fora do ninho
Depois de quase dois meses que estou de volta me sinto uma completa fora do ninho. No meu próprio país. Sendo que estava morrendo de saudades dele, do povo dele, da cultura, dos meus amigos, dos meus bichos, da comida e de tudo nele. Mas mesmo assim eu continuo me sentindo estranha. Porque eu mudei tanto, amadureci e vivi tantas coisas que está difícil encontrar alguém que esteja na mesma sintonia do que eu. 🙁

05. você sentirá falta da sua segunda casa
Mesmo que você recuse, porque afinal você ficou por tanto tempo com saudades da sua casa natal, você vai começar aos poucos a sentir saudades daquela que foi a sua segunda casa por tanto ou por pouco tempo, mas mesmo assim foi. coracao-1_xl







 

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Provavelmente quando vocês estiverem lendo este texto eu já vou estar arrumando os últimos detalhes, ou no portão de embarque ou até mesmo dentro do avião, voltando para o Brasil. E só de estar escrevendo isto já me da um friozinho na barriga, não o mesmo frio que eu tive quando vim para ca, mas um frio do que está por vir do meu futuro. Também tem um mix de triste e de felicidade.

Felicidade porque finalmente vou poder rever meus animais/filhos que não vejo à 7 meses, rever meus amigos e alguns familiares. Rever meu país e a minha cidade que tanto amo. Comer a comida do Brasil que não tem igual e entre tantos outros fatores que não cabe num texto, e já traz um sorriso enorme no meu rosto. Mas ao mesmo tempo fico triste, pois vou deixar aqui pessoas ótimas que me ajudaram, riram comigo e estiveram comigo nesse tempo. E acabaram se tornando uma parte muito importante da minha vida. Como eu sempre digo casa são pessoas, nenhum lugar tem o mesmo valor e significado se não tem as pessoas queridas ali.

Neste texto eu também quero falar da Helena de alguns meses atrás e da Helena de agora. Ano passado foi um dos piores anos para mim, não vou entrar em detalhes, mas posso dizer que por motivos pessoais e por eu estar totalmente desmotivada na minha área profissional contribuíram muito para isso.

Eu estava sem rumo, e as únicas duas certezas que eu tinha era que eu algum dia queria publicar meu livro e que queria vir para Londres. Porque era um sonho que eu tinha dês dos meus 11 anos e que por motivos da vida sempre ficavam para depois. E para “quando terminar a faculdade”. E finalmente quando terminei a faculdade, adivinha? Eu não fui. Tive que fazer uma cirurgia (que já falei aqui no blog para vocês), que acabou sendo caro. Segura o dinheiro, procura emprego e nada de emprego.

E quase que não venho para ca, mas eu não desisti e insiste. Procurei agências fui em feira de intercâmbio e pesquisei preços e preços. Quando finalmente acertei tudo e vim. Mal podia acreditar, só acreditei mesmo no dia e quando o avião aterrizou aqui.

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Quando eu cheguei aqui eu não sabia o que esperar, estava morrendo de medo de não me adaptar e não fazer amigos. Mas logo no primeiro mês ocorreu tudo bem e vi que tinha pessoas legais na minha sala. Eu vi que eu podia e conseguia falar inglês tranquilamente, mesmo errando era com eles que eu aprendia.

Viajei muito também, conheci pessoas nessas viagens que mudaram e ajudaram na minha vida. Decidi que por mais que a Helena de 17/18 anos acha-se que jornalismo era pra ela, realmente o que todo mundo sempre falou para ela estava certo no final das contas. E agora ela/eu quero fazer psicologia e vou encarar isso de cara.

Todas essas viagens, morar sozinha pela primeira vez, conhecer pessoas de outras nacionalidades, tudo isso me inspirou demais. Todo o desanimo e o desamparo que eu estava ano passado e até o comecinho desse ano se foi. A Helena que está voltando para o BR está inspirada, cheia de planos e ideias para o seu futuro.

Londres me fez me aproximar mais das minhas raízes, me aproximar mais do meu lado latino. Amar mais a minha história. E ao mesmo tempo amar aqui também.

Percebi que viajar é o que me da energia para o meu espírito, conhecer, conversar e ajudar pessoas é o que me alimenta. Se eu não tenho essas duas coisas na minha vida eu fico desmotivada e sem rumo. Por isso tenho dois planos grandes que envolvem esses dois temas. Espero poder e conseguir realiza-los.

Aqui se acaba os textos dessa minha pequena aventura morando fora. Se vocês quiserem ler os primeiros é só clicar aqui.

 

 







 

Alguns dias atrás numa foto minha no meu instagram eu tinha pedido para vocês perguntarem todas as suas dúvidas e questões que vocês tinham sobre intercâmbio e sobre Londres em si, já que estou aqui. Enfim, gravei um vídeo resposta e aqui está ele.

Espero que ele seja de ajuda para vocês. 🙂


Texto 1: primeiro dias em Londres
Texto 2: morando sozinha
Texto 3: Precisamos ser mais orgulhosos com o nosso país
Texto 4: “casa” são pessoas e não lugares
Texto 5: Londres x São Paulo
Texto 6: O que é ser brasileiro? Ou melhor, o que é ser latino americano?