histórias feministas

 

Foto retirada do site Revista Donna

O Psycho Indica está saindo um pouco mais cedo, já que normalmente estes posts sempre saem na sexta-feiras, por motivos de que vocês precisam ir nessa exposição antes que ela acabe! Todos os dias que passava na frente do Masp e via os nomes das exposições em exibições essa sempre me chamava atenção. E aproveitei o carnaval para ir, e me apaixonei.

A luta pelo voto feminino das suffragettes, ativistas, que lutaram pelo direito de voto para a mulher na Inglaterra no início do século 20 foi a inspiração da exposição Histórias Feministas. Estão expostas ao total 29 “molduras” que representam as obras que foram atacadas em protestos realizados pelas sufragistas na Inglaterra, especialmente em Londres. Quando você chega você recebe um audioguia da mostra, e escuta vozes femininas que explicam os ataques praticados, geralmente com facas de açougueiro.

Fotografia de monitoramento de militantes sufragistas detidas por atacarem museus e obras de arte, Departamento de Registro Criminal, 1914. © National Portrait Gallery, London

Fotografia de monitoramento de militantes sufragistas detidas por atacarem museus e obras de arte, Departamento de Registro Criminal, 1914. © National Portrait Gallery, London

As disposições das molduras são expostas exatamente do mesmo tamanho que tinham a obra! E é incrível, já que uma delas chega a ter 1m97cm x 4m7cm. Esse em especifico é o quadro Andrômaca Prisioneira, de Lord Frederic Leighton, de 1888. Foi uma das 13 pinturas atacadas em 3 de abril de 1913, na Manchester Art Gallery, data da primeira manifestação das ativistas.

O ataque mais expressivo do motivo das sufragistas foi o que lesou o quadro Sua Alteza o Duque de Wellington, de Hubert von Herkomer, alvo em 12 de março de 1914, na Royal Academy, em Londres. Nele está o neto do Duque de Wellington, um dos generais que lutaram contra a instituição do voto no final do século 19 no Reino Unido e na Irlanda. O argumento das ativistas?  “O avô teve as janelas de casa quebradas em prol do voto masculino. O retrato do neto foi destruído em prol do voto feminino”, explica a locução em áudio.

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O nome da mostra, Elementos de Beleza: Um Jogo de Chá Não É Apenas um Jogo de Chá, é explicado na faixa 15. Em 9 de abril de 1914, em que três xícaras e um pires de porcelana chinesa foram destruídos por uma das sufragistas no British Museum, em Londres. A obra retratava a diferença de classes e um hábito dos trabalhadores chamado de “milk first”: servir-se de leite antes do café quente para que as xícaras não se quebrassem com o calor. Como os mais ricos utilizavam as xícaras de porcelana, as sufragistas argumentavam que atacaram a valorização à propriedade – referência a como as mulheres eram tratadas à época.

Em outra narração, conta-se o que ocorria com as mulheres quando elas eram presas: as ativistas eram obrigadas a olhar para a câmera e, para isso, eram seguradas pelos guardas pelo pescoço. Nas fotos reveladas, os braços que as sufocavam eram apagados para esconder do grande público a humilhação e a violência. Além das prisões, outra consequência dos ataques foi a determinação de que as mulheres só poderiam frequentar as salas de leitura dos museus acompanhadas e com uma carta de recomendação sobre seu bom comportamento. Resumindo, está imperdível, e audioguia passa tão rápido que quando você percebe já acabou. Daquele momentos que você fica fascinado de tanta história e informação rica que está recebendo.

TIMELINE DO VOTO FEMININO

1718 – Na Suécia, o direito foi aprovado, mas restrito a mulheres que pagavam impostos. Em 1758 (eleições locais) e em 1771 (nacionais), acabaria revogado. É aprovado novamente em 1921.

1776 – O Estado de New Jersey, nos EUA, permite o voto feminino (e revoga, em 1807). O voto feminino começa a se espalhar Estado por Estado.

1893 – Nova Zelândia permitiu votos femininos para o parlamento. Candidatas mulheres, no entanto, só foram permitidas em 1919.

1901 – Pela primeira vez, há votos de mulheres (restrito a alguns Estados) nas eleições federais da Austrália.

1906 – A Finlândia se torna o primeiro país na Europa a aprovar o voto feminino.

1908 – A Dinamarca aprova o sufrágio feminino nas eleições locais e, em 1915, nas federais.

1916 – Primeira província do Canadá aprova o voto feminino.

1917 – Uruguai insere o voto feminino à sua constituição.

1918 – A Inglaterra aprova o voto de mulheres acima de 30 anos (ou acima de 21 se tiver posses ou marido com posses). No mesmo ano, Alemanha, Polônia e Rússia aprovam leis semelhantes.

1920 – Emenda à constituição dos EUA aprova o voto feminino em todos os Estados remanescentes.

1929 – Após ações judiciais de mulheres pelo direito ao voto, o Equador insere o direito na constituição, embora facultativo.

1931 – Oito anos após aprovar o voto para solteiras ou viúvas, a Espanha estende o direito a todas as mulheres.

1932 – O Código Eleitoral aprova o voto feminino no Brasil. O direito é assegurado na Constituição de 1934.

1945 – Passada a Segunda Guerra Mundial, o voto feminino chega a países como França, Itália e Japão.

1948 – A ONU insere na Declaração Universal dos Direitos Humanos o artigo 21, que determina que governos realizem eleições periódicas com voto secreto e igualdade de gênero.

2015 – Primeira eleição com participação feminina na Arábia Saudita.

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Data: 12 de novembro de 2015 a 14 de fevereiro de 2016

Local: Mezanino do 1º Subsolo

Endereço: Av. Paulista, 1578, São Paulo, SP

Tel.: (11) 3149-5959.

Horários: terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até 17h30); quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Ingressos: R$ 25,00 e R$ 12,00 (meia-entrada)

O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo (10h às 18h).
O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.
Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$ 12,00 (meia-entrada).
Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.

Classificação livre. Acessível a deficientes, ar-condicionado.

Fontes: Revista Dona, Masp Art