camila yahn

 

Semestre passado, eu e a Helena fizemos um curso de jornalismo de moda na Escola São Paulo. Nós amamos cada uma das aulas e nos encantamos pela nossa professora, a Camila Yahn. Por conta disso, decidimos pedir para ela dar uma entrevista para o Psycho Blondies, e muito gentil, ela conseguiu arranjar um tempinho pra responder nossas perguntas!

Para quem não conhece, a Camila é editora-chefe do portal FFW e já trabalhou em diversos meios de comunicação, como o jornal Folha de S. Paulo e na revista Joyce Pascowitch.

camila_-yahn_entrevista_psycho_blondies

 

PB: Como iniciou sua carreira em jornalismo de moda?

Camila Yahn:
Eu sempre frequentei o universo da moda através de desfiles e da cena noturna, que reunia modelos, estilistas, jornalistas e fotógrafos; mas nunca havia pensado nisso como um trabalho. Nas festas, conheci a Erika Palomino, na época colunista da Folha de S.Paulo. Nós ficamos amigas e eu fui morar em Londres. Pouco tempo depois de voltar para o Brasil, fui a uma festa e mandei um email para ela relatando a noite, quase como uma redação mesmo, com muitos detalhes, de forma que ela sentiu que eu tinha um olhar legal, de alguém que pudesse trazer essas notícias. Ela então me ligou e me convidou para trabalhar com ela. Fiquei lá por cinco anos e foram anos muito proveitosos e alegres pra mim.

PB: Como é sua rotina?

C.Y: Acordo cedo, tomo café da manhã com meu marido e meus dois filhos e vou para a redação do FFW. Passo o dia lá pesquisando, editando os textos das meninas, escrevendo, trabalhando em assuntos do site como propostas de anunciantes, questões práticas, mídias sociais e respondendo milhões de emails. À noite vou para casa e fico brincando com as crianças. De vez em quando escapo para o cinema ou um jantar com marido e/ou amigos; ou algum evento de moda que eu tenha que ir. No fim-de-semana é família total e muitas vezes viajamos todos juntos.

PB. O que é moda e estilo pra você?

C.Y. Moda é comportamento e cultura. É um espelho da atualidade, de como as pessoas se comportam e se enxergam. É também uma indústria gigante e bilionária, um business sério e que cresce em importância cada vez mais. Estilo é como a gente se expressa através da roupa.

PB: Quais são seus estilistas favoritos?

C.Y: McQueen, Phobe Philo, Stella, Marc Jacobs, Raf Simons, Rick Owens… Daqui: Alexandre Herchcovitch, Osklen, Huis Clos, Maria Bonita, Ronaldo Fraga…

PB: Qual a pessoa que você mais tinha vontade de conhecer neste ramo? Se você a conheceu, como foi?

C.Y: Muita gente! Adoraria ter conhecido o McQueen. Também admiro Miuccia Prada, Franca Sozzani e uma infinidade de fotógrafos, como Nick Knight e Steven Meisel. Das pessoas que admiro e tive oportunidade de conhecer estão Stella McCartney e Marc Jacobs. Foi muito bacana. Entrevistei ambos para a Isto É e para a Folha, respectivamente. Foi ótimo, eles foram super simpáticos e profissionais.

camila_yahn_terry_richardson_entrevista_psycho_blondies                         -Camila e um dos nossos fotógrafos favoritos, Terry Richardson. (foto: Terry Richardson)

PB: Com quais pessoas mais gostou de trabalhar?

C.Y: Trabalhei com muita gente legal quando editava revistas: Bob Wolfenson, Fabio Bartelt, Flavia Pommianosky, Flavia Lafer, Heitor Dhalia, Thiago Ferraz, Daniel Ueda, Renata Correa, só para mencionar alguns. No site, na área de moda, tenho trabalho muito com os stylists Juliana Cosentino e Vinicius Ienzura, que também são ótimos.

PB: Quais são as maiores dificuldades que uma pessoa que trabalha no ramo da moda pode encontrar?

C.Y: O mais difícil é fazer com que um editor de moda leia o seu currículo e, através dele, te chame para conversar. O difícil é entrar e se manter, já que a competição começa desde a fase dos currículos e do estágio.

PB: Como é a rotina durante a SPFW?

C.Y: Nós ficamos à disposição do evento, ou seja, da hora em que acordamos até a hora de dormir, estamos respirando SPFW. Vamos para a Bienal e para os desfiles externos e cada um na equipe tem a sua função e já sabe mais ou menos como será o seu dia. Mas tem muita coisa que acontece no calor do momento, então todos temos que estar antenados, ligados com tudo o que está acontecendo ao redor para não deixar passar nenhuma informação.

PB: Na temporada de desfiles você se estressa ou acha que é um período gostoso?

C.Y: Os dois. É estressante e cansativo, mas ao mesmo tempo estimulante, rápido, cheio de energia. A gente conhece e reencontra muita gente em um espaço curto de tempo. Fazemos muitas matérias, temos muitas ideias, tudo num espaço curto de tempo. Mas quando acaba, fico com saudades.

PB. Começar uma carreira sempre é assustador, seja ela qual for. Quais as dicas que você daria?

C.Y: Em primeiro lugar, ser muito bem informado e culto. Tem que saber sobre o Brasil, não só sobre nossos artistas e estilistas, mas sobre a situação econômica e política. Ninguém pode ser alienado, muito menos um jornalista. Deve-se devorar jornais, revistas, sites, livros, filmes, exposições. Também ajuda muito quando você consegue desmistificar as personalidades da moda, os editores, os estilistas… São pessoas normais. Como em todos os lugares, encontramos também na moda pessoas arrogantes, “que se acham”, que desmerecem quem está em uma posição mais baixa, etc, mas isso não é um comportamento da moda e sim individual. Não tenham medo nem vergonha de se aproximar de alguém que vocês admiram, de aproveitar uma oportunidade para pedir um trabalho ou um contato para enviar currículo. Busque experiências, pois são elas que irão formar a nossa bagagem. Temos que fazer coisas chatas de vez em quando, como em qualquer área, mas tudo é aprendizado.

Perguntas: Flavia e Helena

Texto por: Flavia