América Latina

 

Durante muito tempo eu acreditava fielmente que não me encaixava no Brasil, simplesmente, por ser mais quieta e na minha. Não ir em todos os almoço de família, e nem ser daquelas que curte festa, folia e pular carnaval durante todos os 7 dias. Enfim, todos esses estereótipos que sempre escutamos dentro da nossa própria sociedade do que forma um “real” brasileiro. E  cá entre nós escutamos estes mesmos adjetivos aqui fora também.

Durante muito tempo eu tentei me encaixar as estes estereótipos, a minha adolescência toda até os meus 19 anos mais ou menos, eu usava roupas e meu cabelo de forma que acreditava que era mais aceitável. E até a maneira de me portar e meus pensamentos eram desta forma. Até que um dia eu parei. Comecei a fazer com o meu corpo o que eu sempre quis, fazer com o meu cabelo o que sempre tive vontade, usar as roupas que eu sempre queria. Comecei a ler, pesquisar e me aprofundar em temas que sempre me despertavam dúvida e ninguém conseguia tirá-las para mim. Enfim, comecei a ser eu mesma.

Foi exatamente aí que me senti mais excluída ainda. Fui taxada com vários novos estereótipos. Surgiram pessoas falando que eu não parecia ser do Brasil, como se isso fosse elogio, me chamavam de “gringa” e tinha outras pessoas falando (querendo me botar pra baixo) com comentários do tipo: “por que você fez essa tattoo?” ou ” por que você fez isso com o seu cabelo? Vai cair, hein!” e por ai vai. Nessas horas eu sempre utilizava o grande e maravilhoso “foda-se”. Afinal a gente só tem essa vida e estamos nela para sermos felizes, e não sabemos o dia de amanhã, então vamos aproveita-lo o máximo e fazer o que bem entender das nossas vidas e respeitar o próximo.

Porém, depois que eu vim pra ca (Inglaterra) e essas questões voltaram a minha mente. Parei e pensei “mas o que é ser brasileiro?” ou melhor..” o que é ser latino americano?”. Vejamos, o Brasil é um país raízes indígenas, uma cultura extremamente rica e completamente diferente, nossas frutas e muitas de nossas palavras vem graças a eles, a nossa população asiática no Brasil cresce 173% , o Brasil é o país com mais pretos depois do continente Africano, e foi construído por imigrantes não só da Europa, mas também por nossos países vizinhos como Bolivia, Paraguay e Argentina.

Então, você para vê tudo isso, toda a nossa história e realmente acredita que brasileiro é uma única coisa só? 

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A gente está e existe em diversas formas, tamanhos, jeitos e escolhas. E temos o nosso diferencial, que a Europa e os Estados Unidos não tem. Estamos misturados. Somos misturados. A gente é latino e existimos de todas as formas aqui e não dentro de uma única caixinha chata. Graças.

Já aqui em Londres é bem raro você ver isso, mesmo a cidade sendo mais pra frente e aberta, não é como no Brasil ou qualquer país da America Latina que temos essas misturas de raças e que deixa tudo mais lindo. Vou dar um exemplo simples, aqui eles tem uma “chinatown”, e é apenas uma única rua. Enquanto em São Paulo (minha cidade) tem dois bairros asiáticos, Liberdade e Bom Retiro.

Aqui não existe essa de “to aqui perto da sua casa, posso passar ai?”, ou almoço de domingo com a família, ou de dormir na casa do seu amigo quando ta tarde. Ou até mesmo de falar tudo que você acha na cara do seu amigo quando você está bravo. A bela sinceridade.

Eu nunca entendia quando meus amigos que moravam fora, e quando iam me visitar no Brasil, falavam pra mim as amizades daqui parecem ser mais verdadeiras” ou ” brasileiro parece realmente saber viver“. E vou contar mais. Uma pequena história. No meu primeiro dia em que cheguei aqui no avião conheci uma mulher que sentou ao meu lado e ela era inglesa, mas morava na Argentina já fazia uns 4 anos. E quando eu perguntei o porque disso ela simplesmente falou que os ingleses não sabiam viver. Completou dizendo que na  Argentina e as pessoas da America Latina (porque ela já tinha viajado praticamente a America Latina toda) sabiam viver cada dia de cada vez, o presente, e tinham o famoso “calor”, que nada mais é do que empatia.

E não era a primeira pessoa a falar isso para mim, sabia? Minha avó, no caso a minha abuela, já que ela veio da Espanha junto com o meu abuelo, sempre dizia que nunca mais iria voltar para lá, só para visitar. Porque realmente gostava das pessoas do Brasil. E na Espanha as pessoas não são tão próximas como são aqui, e não se ajudam, etc. Porém, eu sou cabeça dura (taurina), ou simplesmente prefiro vivenciar e ter as minhas próprias experiências para chegar as minhas próprias conclusões. E depois de quase 6 meses aqui..não é que todas essas pessoas, e todos os vídeos e textos que vemos das pessoas falando da America Latina estavam certos?

Não adianta você ter a melhor educação e ser a pessoa mais simpática do mundo se você não tem empatia. Isso nasce com você. A gente, da america latina, sofreu muito e ainda sofre. E não sei se é por conta disso ou exatamente o porque, mas não tem pessoas como nós. Você pode até procurar, mas somos únicos. 








 

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Me rendi a essa mulher recentemente. Uma amiga vivia falando dela, mas eu ainda não tinha parado para ouvir seus álbuns e me arrependi amargamente de não ter ido ao show dela na Virada Cultural aqui de São Paulo.

Ana Tijoux ou Anita Tijoux é uma cantora franco-chilena. Ela nasceu em Lille, na França, no dia 12 de junho de 1977, porque seus pais foram elixados pela ditadura de Augusto psicopata genocida Pinochet no Chile.

Ela começou sua carreira como MC do grupo de hip-hop Makiza durante os anos 90. A partir de 2006, ela iniciou uma carreira solo, e gravou uma colaboração com a cantora mexicana Julieta Venegas. Depois do seu segundo álbum, 1977, ela ganhou maior notoriedade, e sua música chegou à trilha da série de televisão Breaking Bad.

Ana é conhecida por tratar de temas como anti-colonialismo, feminismo, ambientalismo e justiça social em suas letras.

Discografia:

  • Kaos (2007)
  • 1977 (2010)
  • Elefant Mixtape (2011)
  • La Bala (2011)
  • Vengo (2014)

Eu estou viciada nos álbuns Vengo e La Bala, são os mais politizados. Não curti muito o 1977. Mas eu garanto que vocês não vão se arrepender, a música dessa mulher é viciante.

“Vengo en busca de respuestas
Con el manojo lleno y las venas abiertas,
Vengo como un libro abierto
Anciosa de aprender la historia no contada de nuestros ansestros
Con el viento que dejaron los abuelos y que vive en cada pensamiento
De esta amada tierra, tierra
Quien sabe cuidarlo es quien de verdad la quiere.” – Vengo, Ana Tijoux.








 

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Olá gente, tudo bem com vocês?  Hoje eu vim contar um pouquinho da minha viagem para Montevidéu, Uruguai. Quem não me acompanha nas redes sociais provavelmente não sabe, mas semana passada eu fiz um cruzeiro, junto com meu namorado, e passamos pela capital do Uruguai, Buenos Aires (Argentina), e Punta del Este (Uruguai, novamente). Os dois últimos lugares também terão seus devidos posts. Geralmente viagens de cruzeiros quando para em alguma cidade fica somente ali por alguns poucos dias, ou algumas horas. Foi o caso das duas cidades do Uruguai, porque na Argentina ficamos dois dias.

Por isso esse diário de viagem será um pouco curto (mas acabou não ficando haha), porque não tenho muito o que falar de Montevidéu, porque não fiquei muito tempo, foram só algumas horas com a excursão que o próprio navio oferece. Mas foi o suficiente para eu me apaixonar pelo país e querer voltar para ficar mais alguns dias.

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Eu já gostava do Uruguai, mesmo nunca tendo ido para lá, simplesmente, por causa da política e de certas leis “polêmicas” (bem justas), que melhoraria a vida de muita gente aqui no Brasil (se ele adotasse)! Mas nunca tinha me atraído pela capital deles, principalmente porque umas duas pessoas já haviam me dito que a cidade era minúscula e não tinha nada para se ver, e fazer. Porém, creio que as pessoas não olharam com atenção para essa pequena capital.

Montevidéu é linda demais, todos os prédios, casas e afins estão super conservados e devidamente restaurados. Para todos os lados que você olha tem um parque ou alguma árvore, quase, se não todas, as ruas são super arborizadas. E um detalhe que me cativou ainda mais, principalmente por ser um país vizinho do Brasil é que não tem um papel no chão, todas as ruas são super limpas. Acho que não é atoa que ela foi eleita a melhor cidade da América Latina para se viver.

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Bom, chega de falar da minha paixão pela cidade e vamos para a parte que interessa, o que eu visitei e recomendo para vocês.

Pra começo de conversa você tem que ir na Praça Independência, que é aonde acontece as grandes festas quando algum presidente é eleito, e outras festas e manifestações acontecem por lá também. Além de que a praça é super linda. Nela tem o Palácio Salvo (primeira foto deste post), que é um dos “cartões postais” da cidade, um edifício com uma arquitetura majestosa e diferente, que já foi considerado o mais alto da América do Sul.

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Continuando na Praça Independência, você pode visitar o Teatro Solís, que existe desde 1856, e é o mais importante teatro de Montevidéu. O local é famoso pela arquitetura imponente de seu edifício e pelo charme dos detalhes em seu interior. Eu só passei na frente dele, mas me falaram que é possível fazer uma visitação interna.

Também temos nela (na Praça Independência) a Puerta de la Ciudadela, nome em sua língua original, que nada mais é do que uma porta que restou da fortaleza que protegia Montevidéu anos atrás. Hoje em dia a porta é um dos lugares favoritos dos turistas para contemplar e tirar fotos.

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Localizado na Av. de Las Leyes , apenas a 3km da Plaza Independencia, se encontra  o Palácio Legislativo. A sede da Câmara dos Deputados, é um dos prédios mais imponente de Montevidéu, e é de tirar o fôlego. Muitos turistas só tiram fotos externas dele (que foi meu caso), mas ele é aberto para visitantes com visita guiada. Acontece de segunda e sexta em dois horários, às 10:30h e às 15:00, o ingresso custa 70 pesos uruguaios (aprox. R$7,00) ou então 3 dólares. Não é necessário reservar, só basta chegar alguns minutos com atencedência.

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Já estou chegando ao fim deste post, mas sem antes indicar dois últimos lugares que passei e achei bastante bonitos. Um deles é um parque, infelizmente não lembro o nome dele, mas fomos nele porque existe uma estátua que homenageia a parceria que existiu/existe entre o Uruguai e o sul do Brasil. Por eles serem tão próximo eles acabaram pegando um pouco da cultura do outro, então para celebrar esta pequena união, tem este pequeno monumento com cavalos.

Parece ilusão/photoshop, mas sim, tinha realmente um pássaro pousado na mão da estátua <3

Parece ilusão/photoshop, mas sim, realmente tinha um pássaro pousado na mão da estátua <3

Outro lugar que é bastante interessante é o bairro Prado, é um dos mais antigos e é composta por enormes casarões, já que antigamente só ricos moravam na região e construíram casas maravilhosas. Como a foto abaixo.

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Enfim, vou terminar logo este post porque está maior do que eu gostaria, e duvido que todos vocês terão paciência de ler tudo isso. Mas antes não poderia sugerir outros lugares para você visitar (por mim) como Mercado do Porto, Feira de Tristán Narvaja, Av. 18 de Julho, e outros tantos lugares que não tive a oportunidade de conhecer. Por isso e por outros motivos preciso voltar a Montevidéu.

Deixarei vocês com algumas fotos e um curto vídeo do que filmei por lá.

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Comentem se vocês já foram ou se tem vontade ir, e o motivos de vocês. É sempre bom saber a opinião de vocês, principalmente em questões de viagens, porque sempre que alguém vai tem uma experiência diferente da outra pessoa. Bom, espero que este post tenha ajudado, de alguma forma, vocês. coracao-1_xl








 

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“Após o sucesso do seu primeiro livro, Ilana Casoy dedicou-se a uma pesquisa rigorosa para investigar os serial killers brasileiros, no que           viria a ser o primeiro livro do gênero dedicado aos assassinos em série do Brasil. Foram cinco anos de pesquisas, visitas a arquivos públicos, manicômios e penitenciárias, além de entrevistas cara a cara com personificações do mal em terras tupiniquins, para compor um inquietante roteiro com rigor investigativo de como, por quê e com que métodos os serial killers brasileiros atuam.”

    – Skoob

Comprei esse livro para meu TCC, mas já estava de olho nele a algum tempo, além dele ser sobre um assunto que eu amo a autora dele me cativou demais, principalmente por ela ser uma das únicas pessoas, e mulheres, especialistas nesse assunto aqui no Brasil. Não vejo a hora de fazer a resenha dele para vocês. coracao-1_xl

 

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“A L&PM relança As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, com nova capa, índice analítico e nova tradução de Sergio Faraco, um dos mais importantes contistas do Brasil. Sobre essa versão, escreveu Galeano: “Excelente trabalho de Sergio Faraco, melhora a não menos excelente tradução anterior, de Galeno de Freitas. E graças ao talento e à boa vontade destes dois amigos, meu texto original, escrito há quarenta anos, soa melhor em português do que em espanhol”. ” – Skoob

Faz muito tempo que eu quero ler esse livro. Procurei em todas as bibliotecas do Mackenzie e nada. Até que um amigo de alma muito caridosa me emprestou o exemplar dele. Não é um livro sobre ficção ou aventura ou fantasia, mas a forma como Galeano escreve transforma uma narrativa que seria pesada, em algo mais tranquilo de ler. Eu amo qualquer coisa que envolva a América Latina, acho que por aqui falta essa identificação com a nossa identidade latino-americana e o Galeano é simplesmente um dos melhores escritores vivos atualmente.