Resenha

 

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sinopse

“Admirável Mundo Novo – Ano 634 d.F. (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (pré-condicionados) têm comportamentos (pré-estabelecidos) e ocupam lugares (pré-determinados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime.

Os conceitos de “pai” e “mãe” são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia: acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo. Extraordinariamente profético, “Admirável mundo novo” é um dos livros mais influentes do século 20.” – Skoob

 

o que eu achei

Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932 e é espantoso como Huxley conseguiu enxergar um modelo de sociedade bem além do seu tempo, e que para nós em 2015, é bem plausível. O título do livro foi tirado de “A Tempestade” de Shakespeare.

A linha histórica no livro é dividida em antes de Ford (a.F) e depois de Ford (d.F), semelhante ao antes de depois de Cristo ainda vigente. Todas as religiões foram abolidas, não existem mais doenças, tristeza ou solidão. Todas as pessoas permanecem jovens e saudáveis por toda a vida, que não ultrapassa os 60 anos. A sociedade é divida em castas: Alfas, Beltas, Deltas, Gamas e Ípsilons. O destino, a inteligência e a forma física das pessoas são determinadas enquanto ainda são embriões, e todo o seu desenvolvimento é acompanhado de perto no Centro de Incubação e Condicionamento.

O modelo de família que alguns tanto defendem hoje em dia, é considerado obsoleto e obsceno. A palavra “mãe” é um insulto e a liberdade sexual plena é uma realidade. “Todos pertencem a todos”. Monogamia é um desvio de comportamento.

E todos possuem o soma, um tipo de droga sem efeitos colaterais que afasta as preocupações e te deixa feliz e sereno. Provavelmente o soma foi inspirado no LSD, Huxley foi um entusiasta do uso responsável do LSD como catalisador dos processos mentais do indivíduo, em busca do ápice da condição humana e de maior desenvolvimento das suas potencialidades.

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Como em 1984, as leis não são claras. As pessoas através do condicionamento sabem qual é o seu papel na sociedade, e não tem a capacidade de questioná-lo. Cada casta exerce a sua função, mas ao mesmo tempo não sabem explicar o que de fato fazem. As inovações cientificas e tecnológicas foram desencorajadas, tudo o que é produzido serve de base para aquele modelo estabelecido. As pessoas que não se encaixam são exiladas em ilhas, e acabam vivendo melhor no exílio.

Esse condicionamento criticado no livro não é uma realidade fantasiosa e distante. Há muito tempo somos manipulados pela publicidade por meio de recursos e mecanismos psicológicos que nos levam a comprar um produto, um serviço ou uma ideia.

O conflito na história começa quando Bernard Marx resgata o Selvagem, um homem branco que nasceu e cresceu por acidente em uma tribo. Esse Selvagem começa a questionar a estrutura dessa sociedade até o momento desconhecida para ele.consideraçÑoes finais modelo 2 Esse modelo de sociedade que cultua a juventude, o belo e se medica para se sentir bem te lembra algo? 😉

Já vivemos esse tempo que patologiza a vida, para cada sensação temos um tipo de remédio, fugimos dos problemas e da tristeza. Mas (comentário fútil alert) cadê esse desenvolvimento tecnológico que deixa todo mundo lindo e saudável nas nossas vidas??

Não desenvolvi empatia por nenhum dos personagens, talvez um pouco pela Lenina, mas o Bernard e o Selvagem me irritaram profundamente. Ambos acreditam que são superiores aos seus pares, enquanto criticam a sociedade em que vivem, fazem de tudo para serem aceitos por ela. Principalmente o Selvagem, que cria expectativas na sua cabeça e quando os outros não seguem seu roteiro imaginário ele fica frustrado e violento. Ao meu ver, ele representa a arrogância de um erudito, enfatiza e declama Shakespeare em todas as oportunidades e acredita que é um tipo de salvador dentro daquela sociedade. Tenta libertar pessoas que acreditam já serem livres.

Huxley não explica quem foi Ford dentro daquele contexto ou como aquela sociedade evoluiu daquela maneira, ele simplesmente escancara o resultado. Podemos supor que Ford é uma referência irônica a Henry Ford, pioneiro estadunidense da indústria automobilística e inventor da linha de produção para a fabricação em série de peças. O “fordismo” foi satirizado no filme “Tempos Modernos” do Charles Chaplin, e transformou os trabalhadores em autômatos que repetiam o mesmo gesto ao longo da jornada de trabalho.

Admirável Mundo Novo problematiza até que ponto estamos dispostos a chegar em nome de uma concepção de paz, “felicidade” e desenvolvimento tecnológico. O livro expressa o ceticismo de Huxley em relação a ideia de progresso da época, e alerta para as ameaças do cientificismo e da perda de individualidade.

Mais tarde Huxley retorna a esse mundo com “Despertar do Mundo Novo” e “Regresso ao Admirável Mundo Novo“.








 

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Contém spoilers para quem não leu o primeiro livro da trilogia As Crônicas dos Kane
sinopse

“Os deuses do Egito Antigo foram libertados, e desde então Carter Kane e sua irmã, Sadie, vivem mergulhados em problemas. Descendentes da Casa da Vida, ordem secreta que remonta à época dos faraós, os dois têm poderes especiais, mas ainda não os dominam por completo – refugiados na Casa do Brooklin, local de aprendizado para novos magos, eles correm contra o tempo. Seu inimigo mais ameaçador, Apófis, está se erguendo, e em poucos dias o mundo terá um final trágico.

Para terem alguma chance de derrotar as forças do caos, precisarão da ajuda de Rá, o deus sol. Despertá-lo não será fácil: nenhum mago jamais conseguiu. Carter e Sadie terão de rodar o mundo em busca das três partes do Livro de Rá, para só então começarem a decifrar seus encantamentos. E, é claro, ninguém faz ideia de onde está o deus.” – Skoobo que eu achei

No primeiro livro “A Pirâmide Vermelha” os irmãos Kane,  Carter e Sadie, descobrem que são descendestes de uma linhagem muito antiga de Faraós e possuem poderes. Também descobrem que seus pais pertenciam a Casa da Vida, uma organização de magos egípcios de milhares de anos. É neste primeiro livro  que acontece o despertar de Apófis, e nós (leitores) ficamos cheios de expectativa com a continuação, já que a serpente é a personificação de todas as coisas más e caóticas do mundo. Se vocês quiserem posso fazer a resenha do primeiro livro, como li faz um tempo, não lembro de todos os detalhes, mas posso fazer contando o que eu me recordo.

Agora estamos no segundo livro desta trilogia, desta vez os irmãos não estão sozinhos e contam com ajuda de Bastet e outros aprendizes que foram a casa de Brooklyn aprenderem sobre hieróglifos e a vida egípcia. Além disso, eles precisam correr contra o tempo, os deuses e outros magos, que não apoiam a decisão dos dois de despertar Rá, o deus do sol. O único capaz de derrotar Apófis, que estava se libertando e pretende destruir o mundo.

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Para conseguir acordar o deus dos deuses eles precisam resgatar três partes do livro de Rá, que estão escondidas pelo mundo. Por isso ele viajam a diversos lugares, por exemplo eles vão para Rússia. Outro ponto. Carter ainda se preocupa com Zia Rashid, a garota por quem se apaixonou e descobriu que está sendo mantida presa por um encantamento. Já Sadie reencontra Anúbis, o deus da Morte por quem sempre tivera uma queda, mas fica indecisa com a chegada de Walt, um dos magos da sua equipe que carrega um terrível mistério.

Tem outros personagens novos nesses livros que são muitos queridos, e outros nem tanto. Por exemplo. Bes, um anão robusto e monstruoso, conforme se descreve, apesar de toda sua deformidade ele é um dos mais fieis. Temos  Vladimir Menshikov, o que todos irão odiar. Líder do Décimo Oitavo Nomo (São Pertersburgo – Rússia) ficou cego após tentar ler uma das partes do livro de Rá.

O tio Rick não finalizou a história por completo neste livro, porque claramente tem o último livro, já que é uma trilogia.consideraçÑoes finais modelo 2Indico este livro para todos que adoram os livros da saga Percy Jackson, a trilogia dos Kane é tão envolvente e viciante quanto. Tio Rick arrasa, né gente? coracao-1_xl

O livro custa R$ 44,90 e o seu E-book R$ 22,90 segundo o site da editora Intrínseca.








 

livro resenha 1984

 

sinopse

“Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O´Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que “só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro”.
Quando foi publicada em 1949, poucos meses antes da morte do autor, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes – um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais – atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução. À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos.
Algumas das ideias centrais do livro dão muito o que pensar até hoje, como a contraditória Novafala imposta pelo Partido para renomear as coisas, as instituições e o próprio mundo, manipulando ao infinito a realidade. Afinal, quem não conhece hoje em dia “ministérios da defesa” dedicados a promover ataques bélicos a outros países, da mesma forma que, no livro de Orwell, o “Ministério do Amor” é o local onde Winston será submetido às mais bárbaras torturas nas mãos de seu suposto amigo O´Brien.” – Skoob

 

o que eu achei

George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu em 1903 na Índia, onde seu pai trabalhava para o império britânico, e estudou em colégios tradicionais da Inglaterra. Jornalista, crítico e romancista, é um dos maiores escritores do século XX. 1984 é o seu último romance, publicado meses antes de morrer de tuberculose.

Winston Smith parece ser diferente das outras pessoas ao seu redor. Ele é membro do Núcleo do Partido, trabalha no Ministério da Verdade, e odeia profundamente o Partido e o Grande Irmão. No entanto, o que o difere dos demais é que ele possui memória.

GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA

O Ministério da Verdade é responsável por notícias, documentação, entretenimento, educação e belas-artes, mas principalmente por alterar dados e fatos históricos. O Ministério da Paz é responsável pela guerra. O Ministério do Amor por manter “a lei e a ordem”. E o Ministério da Pujança por questões econômicas.

A história se passa em Londres, capital da Oceânia, um dos três superestados em que o mundo está dividido. A Oceânia é composta pela antiga Inglaterra e o que outrora fora as Américas e parte da África. O idioma oficial é a Novafala, que ainda está em fase de adaptação. Não existiam leis, não existiam datas. Winston não sabia sua idade e supunha estar em 1984.

Ele nunca disse uma única palavra comprometedora, nunca disse nada contra o Partido, e nem poderia. Existem teletelas em todas as casas e escutas em todas as ruas. Tudo, absolutamente tudo está sob o controle do Partido. Mas um dia ele resolve fazer um caminho diferente e percorre o bairro dos proletas (classe pobre e trabalhadora completamente ignorada pelo resto da população e por aqueles que estão no poder), ele acaba comprando um diário antigo e decide escrever qualquer coisa.

Ele quer escrever, mas não sabe como organizar seus pensamentos guardados há anos. Ter ideias é crime, não oficialmente, mas todos sabem que haveriam consequências. O desenvolvimento intelectual foi desestimulado por anos, e aos poucos foi atrofiado. Mas ele consegue começar o diário:

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Prisões aconteciam a noite, sem registro. O Partido conseguia controlar até a existência de uma pessoa. Muitas pessoas sumiam de repente e ninguém mais se lembrava delas. Se alguém fosse vaporizado pelo Partido logo tudo sobre sua existência seria apagado.

Vão me dar um tiro não me incomodo vão me dar um tiro na nuca não me incomodo abaixo o grande irmão eles sempre atiram na nuca não me incomodo abaixo o grande irmão …

Um dos lemas do Partido (e que mais tarde nós vamos sentir na pele como verdade) era: quem controla o passado controla o futuro, quem controla o presente contra o passado. A ideologia vigente em Oceânia é o Socing (Socialismo Inglês) e o mecanismo que controla o raciocínio dos habitantes é o duplipensamento.

O pensamento-crime não acarreta a morte:o pensamento-crime É a morte.

A Novafala fazia parte do duplipensamento. Ela diminuía radicalmente o número de palavras e a linguagem. Ela restringe o pensamento e acaba abolindo o conceito de liberdade.

Os membros do Núcleo do Partido são celibatários, principalmente as mulheres, o prazer sexual é considerado perigoso, um forte laço emocional entre um casal também. Amor era impossível e desejo era pensamento-crime.

Até que Winston conhece Julia. Julia é mais nova do que ele e sua rebeldia está na liberdade do seu corpo. Eles começam um relacionamento clandestino, ambos desprezam o Partido, mas cada um tem uma visão própria de insurgência.

Se é que há esperança, a esperança está nos proletas.

O sexo entre Winston e Julia era um ato político. Sexo por simples desejo era transgressor. Pureza e bondade eram submissão ao Partido.

Winston acreditava que O’Brien era como ele, acreditava que tinha conhecido um membro da Confraria (grupo rebelde) e estava disposto a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para derrubar o Partido. Ele recebe o livro proibido de Emmanuel Goldstein, antigo membro do Partido, que se juntou a causa contrarrevolucionário para derrubar o Grande Irmão.

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Através da leitura desse livro por Winston temos acesso aos verdadeiros objetivos do Partido: Poder pelo Poder. – A Oceânia sempre está em guerra com algum dos outros dois superestados, a Eurásia ou a Lestásia. A guerra é a fonte de tudo, através dela se conquista mais força de trabalho. Com a eliminação do livre pensamento cessaram as descobertas e as inovações na ciência e tecnologia, tudo é voltado para a guerra e espionagem. Nunca foi objetivo de quem está no poder elevar o padrão de vida da população, muito pelo contrário. Elevar o padrão de vida acabaria com a hierarquia dentro da sociedade.

O problema era: como manter as rodas da indústria em ação sem aumentar a riqueza real das pessoas? Era preciso produzir mercadorias, mas as mercadorias não podia ser distribuídas. Na prática, a única maneira de conseguir isso foi com a guerra ininterrupta. O ato essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas dos produtos do trabalho humano. A guerra é uma forma de despedaçar ou de afundar nas profundezas do mar materiais que, não fosse isso, poderiam ser usados para conferir conforto excessivo às massas e, em consequência, a longo prazo, torná-las inteligentes demais …

E então Winston é capturado junto com Julia, e começam as sessões de tortura e reprogramação no Ministério do Amor.

Mas e se meu objetivo não fosse permanecer vivo, e sim permanecer humano?

Diante da dor não há heróis …

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1984 foi publicado em 1949 (no mesmo ano foi lançado “O Segundo Sexo” da Simone de Beauvoir), mas continua atual. O sistema vigente no livro foi baseado no modelo “tradicional” de regimes totalitários, principalmente o stalinista, no entanto, possui muitos aspectos semelhantes a política imperialista dos Estados Unidos vigente hoje.

O Ministério do Amor retratado no livro me lembrou os relatos do período da Ditadura Militar aqui no Brasil e em outros países da América do Sul, me lembrou Guantanamo .. a Polícia das Ideias também. A teletela e o controle de informações: Julian Assange, Wikileaks, Snowden?

E principalmente, Orwell nesse livro (e Huxley em “Admirável Mundo Novo” – resenha da semana que vem) mostra como é perigoso negar e apagar o passado, como é perigoso a falta do conhecimento da sua história, do seu povo e do seu país. Não ter passado é perder sua identidade. As pessoas em Oceânia vivem como máquinas, executando as mesmas atividades dia após dia, repetindo frases prontas, sentindo o que é apropriado sentir em momento apropriados.

Orwell também coloca em questão o que é ser humano, além de reforçar uma verdade que já conhecemos desde Marx:

“Porque se lazer e segurança fossem desfrutados por todos igualmente, a grande massa de seres humanos que costuma ser embrutecida pela pobreza se alfabetizaria e aprenderia pensar por si; e depois que isso acontecesse, mais cedo ou mais tarde essa massa se daria conta de que a minoria privilegiada não tinha função nenhuma e acabaria com ela” – George Orwell

O último capítulo é um soco frustrante no estômago.

O livro 1984 está disponível no site da editora Companhia das Letras por R$45,00.








 

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sinopse “A mais importante reportagem do século XX – um retrato de seis sobreviventes da bomba atômica escrito um ano depois da explosão. Quarenta anos mais tarde, o repórter reencontra seus entrevistados. A bomba atômica matou 100 mil pessoas na cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945. Naquele dia, depois de um clarão silencioso, uma torre de poeira e fragmentos de fissão se ergueu no céu de Hiroshima, deixando cair gotas imensas – do tamanho de bolas de gude – da pavorosa mistura. Um ano depois, a reportagem de John Hersey reconstituía o dia da explosão a partir do depoimento de seis sobreviventes. Quarenta anos depois, Hersey voltou a Hiroshima e escreveu o último capítulo da história dos hibakushas – as pessoas atingidas pelos efeitos da bomba. Hiroshima permitiu que o mundo tomasse consciência do catastrófico poder de destruição das armas nucleares.”Skoob

o que eu achei

O livro começa gira em torno de seis hibakushas (como os próprios japoneses nomearam os sobreviventes da bomba atômica): a Srta. Toshiko Sasaki, funcionária da Fundição de Estanho do Leste da Ásia, a Sra. Nakamura, viúva de um alfaiate, o Padre Kleinsorge, um jesuíta alemão, o Dr. Sasaki, jovem cirurgião, o Dr. Fuji, dono de um hospital particular na cidade e o reverendo Tanimoto, pastor da Igreja Metodista de Hiroshima. Em sua narrativa, John Hersey alterna entre os personagens para contar simultaneamente onde estavam e o que faziam cada uma dessas pessoas.

Reconstruindo os acontecimentos a partir do que cada um deles tinha vivido, nós leitores vamos acompanhando os primeiros momentos após a queda da bomba atômica, os dias sombrios que o seguiram, as consequências que duraram por décadas. A construção do texto nos envolve e nos faz sentirmo-nos como se estivéssemos lá, vivenciando a tragédia, a dor, a tristeza. O autor consegue fazer-nos esquecer que as informações foram obtidas através de entrevistas que ele realizou, parecendo que ele mesmo estava lá, observando tudo e nos relatando.

O pastor estendeu os braços e tentou puxar uma mulher pelas mãos, porém a pele se desprendeu como uma luva. (p.51)

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O texto foi primeiramente escrito em forma de artigo para uma edição especial da revista The New Yorker, que consistia inteiramente desta reportagem. A linguagem utilizada por Hersey é simples e clara, evidenciando o caráter jornalístico da narrativa. Ao citar algum termo relevante para a história, que é frequentemente usado pelos japoneses, o autor não só traduz ao pé da letra, mas explica os significados por trás da palavra. Isso contribui para que entendamos o contexto no qual ela foi inserida e a importância para o povo japonês. Dentre as características que Hersey destaca em sua escrita, humanitária e ao mesmo tempo impactante, é o fato de ele incorporar o ponto de vista das personagens, colocando no texto as informações que eles conhecem.

Uma multidão de cientistas invadiu a cidade. Alguns mediram a força que havia sido necessária para deslocar lápides de mármore nos cemitérios, derrubar 22 dos 47 vagões parados no pátio da estação de Hiroshima, arrancar a pista de concreto de uma ponte e dar outras extraordinárias demonstrações de poder. Concluíram que a pressão exercida pela explosão variou entre 5,3 e 8 toneladas por oitenta centímetros quadrados. Outros cientistas constataram que a mica, cujo o ponto de fusão (…) (p.88)

Esse é um dos trechos em nos deixa com dúvida, um tanto sombria. Se a bomba foi jogada por conta da guerra ou se foi por uma experiência cientifica, já que logo depois uma massa de médicos especializados e cientistas vão para Hiroshima e Nagasaki analisar, observar e estudar a potência da bomba e as pessoas afetadas. Numa espécie de “ratinho de laboratório”. Além de outro dado muito interessante que esta obra trás, para o leitor, é que depois dos Estados Unidos obterem seus resultados outros países começaram testar a bomba atômica.

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Outros pontos muitos marcantes do livro foram os próprios japoneses, eles são extremamente orgulhosos. Eles nutriram um rancor pelos os Estados Unidos (mais com razão), que provavelmente, ira ficar para o resto da vida em cada japonês. Outro fato muito interessante é que eles tiveram um imenso preconceito com os hibakushas. As vítimas demoraram para reconstituírem suas vidas, principalmente por não conseguirem achar emprego por causa desse fator, eram pouco os lugares que empregavam os sobreviventes.

Hiroshima teve enorme importância como obra jornalística. Na época em que a revista foi lançada – o artigo ocupou a edição de agosto inteira – fazia apenas um ano que a Segunda Guerra Mundial tinha acabado, período de intensificação da Guerra Fria. Ela contribuiu para que os americanos vissem os inimigos como seres humanos, ressaltando a importância do jornalismo na percepção que as pessoas têm do mundo.

John Hersey foi considerado, com esta obra, precursor de um novo estilo de livro-reportagem, que foge do sensacionalismo barato ou à fórmula simplista de fazer jornalismo, criando, ao contrário, uma obra original e realista. consideraçÑoes finais modelo 2Indico este livro para todos os leitores que gostam de ler sobre segunda guerra, principalmente por se tratar de uma segunda lado, sem envolver diretamente os judeus, alemães ou americanos. E a todo estudante ou formado de jornalismo, vocês tem a obrigação de ler este livro. Porque sim, jornalista pode e é sim escritor. 🙂 Foi um livro que me surpreendeu muito, não imaginava que iria gostar tanto, e admito que me deixo com muito raiva do governo dos americanos da época.

Custa R$41,00 de acordo com o site da editora Companhia das Letras.








 

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Ano passado (sim olha a minha cara de pau) eu comecei a série “Diretores que amamos” (clique aqui), mas só fiz o post de estreia e fiquei adiando a análise dos filmes. O primeiro diretor escolhido foi o Tarantino, que eu amo loucamente. No entanto, resolvi criar vergonha na cara e ressuscitar a série. Espero que gostem 🙂

Quentin Tarantino foi aclamado nos anos 90 como o novo messias descolado do cinema, e tudo começou com Cães de Aluguel coproduzido por Harvey Keitel, em 1992 no Sundance Film Festival.

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Cães de Aluguel é uma grande brincadeira sangrenta de Tarantino ao estilo gangsteres, influenciada por Caminhos Perigosos e Os Bons Companheiros de Scorsese, e pelo Grande Golpe de Kubrick, que tem a violência como grande obra-prima e motivo de êxtase.

Já na cena de abertura o filme mostra a que veio, Tarantino interpretando Mr. Brown narra uma análise semiótica de Like a Virgin da Madonna, inaugurando uma série de diálogos inspirados e irônicos que vão da liberdade sexual feminina a ética em dar gorjetas para uma garçonete.

“Jesus, essas mulheres não estão passando fome, elas ganham salário mínimo”, se opõe o Mr. Pink (Steve Buscemi) quando seus colegas tentam fazê-lo sentir-se envergonhado e deixar dinheiro na mesa como todo mundo. Ao ritmo chiclete de Super Sounds of the Seventies, de K-Billy Radio, o grupo vai para a rua. Vestido idênticos com ternos pretos esguios, gravatas estreitas e camisas brancas.

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O filme se estrutura em flashbacks que misturam o pandemônio após um assalto frustrado, com a apresentação dos personagens e detalhes dos estágios de planejamento. O chefão do crime Laurence Tierney e seu filho, Chris Penn, recrutam seis profissionais que recebem nomes falsos identificados por cores, para que nenhum deles reconheça o outro, dentre eles há um policial disfarçado que causa todo o tumulto na hora do assalto, inclusive alguns assassinatos.

Os que sobraram se reúnem no ponto de encontro, um armazém abandonado. Mr. White (Harvey Keitel) leva seu companheiro ferido e policial disfarçado Mr. Orange (Tim Roth) para o armazém, onde Mr. Pink (Steve Buscemi) logo se junta a eles, obcecado em permanecer profissional e descobrir quem foi o traidor. Depois chega o psicótico Mr. Blonde (Michael Madsen) com um policial refém.

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A partir daí os diálogos giram em torno da honra e do profissionalismo entre bandidos. Em um certo momento Mr. White e Mr. Pink deixam Mr. Blonde sozinho com o policial refém e com o ferido Mr. Orange, então começa a tão aclamada cena que fez com que vários espectadores saíssem da sala de cinema no Sundance Film Festival.

Mr. Blonde, ao som de Stuck in the Middle With You, dança e canta enquanto tortura e mutila com uma gilete o refém. A cena foi gravada em dez minutos, cada minuto de agonia para o policial é um minuto para o espectador. Não sei se a percepção de violência mudou dos anos 90 para cá com a geração Jogos Mortais, mas essa cena me frustrou, o tão aguardado momento de horror com a tortura não arrancou uma virada de olhos minha, a única sensação de horror foi o tédio. O único momento em que a cena finalmente atinge o seu potencial é quando Mr. Blonde olha para a sua vítima aterrorizada e mutilada e diz “Foi tão bom para você quanto foi para mim?”.

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A violência de Cães de Aluguel não é gratuita, tudo no filme tem um propósito, Tarantino zomba e provoca seu público o tempo todo, que experimenta o êxtase através do sangue e do sarcasmo, e a agonia enquanto Mr. Orange sangra até a morte.

Cães de Aluguel funde masculinidade, violência e submundo. A versão de masculinidade de Tarantino é profundamente regressiva, especialmente baseada na cultura de massa dos anos 70 de sua própria infância. O que torna o filme tão dos anos 90 é que ele gira em torno do que foi reprimido na versão da masculinidade dos anos 70, um medo paranoico e homofóbico do outro que explode em discursos de ódio, em chutes e explosões, em balas e lâminas. É um filme extremamente insular, as mulheres não tem mais de 30 segundos na tela, há zero personagens negros, mas ainda sim, nenhum minuto se passa sem uma referência (racista) aos negros, a estupro na cadeia (sêmen negro em bunda branca), a ameaças de castração das mulheres “fálicas” como Madonna ou o ícone dos anos 70 Pam Grier.

Os personagens são racistas, machistas e homofóbicos, mas não com o propósito de incentivar ou enaltecer esses absurdos (na minha humilde opinião), os outros filmes do Tarantino tem personagens femininos fortes e maravilhosos.

A informação se acumula fora da ordem cronológica, e a preparação e os desdobramentos do assalto vão sendo revelados em flashbacks através dos pontos de vista dos participantes. Curtindo a ironia dramática, Tarantino revela a identidade do policial infiltrado na metade do filme, colocando a plateia em seu ponto de vista e no desespero da sua posição. Em seu mundo, o conhecimento não o leva a lugar algum, quando o gelado Mr. Blonde (Michael Madsen) chega com um jovem policial que ele sequestrou durante a fuga, a violência se agrava. No blecaute final, o armazém está carregado de corpos. É uma comédia de humor controverso, que tanto se vangloria quanto ridiculariza seu gênero e seus personagens.