Ame Seu Corpo

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Olá, tudo bem? Como vocês sabem as terças-feiras sempre são voltadas para posts com conteúdo de beleza e dicas. Mas hoje farei um pouquinho diferente.  Irei comentar algo que todo mundo está comentando e presenciando nas redes sociais este dias. E sim, quando esse assunto surgir, seja da forma que vier, devemos sim debater sobre ele.  Irei comentar sobre a pessoa x que sugeriu mandar nudes para amigas, para assim se focar na dieta e não sair dela. Mas não preciso citar o nome dessa pessoa, porque vocês sabem quem ela é. E também porque ela não é a única mulher a reproduzir machismo e insistir/da dicas em métodos sem noção para não sair de forma alguma do regime. E achar que ser magra é o única formula para a felicidade.

Vamos partir do principio que não se deve brincar com essas coisas de “manda nudes” para a amiga, ou fulano, ou ciclano, e para que depois futuramente essas fotos possam ser jogadas nas redes sociais. Principalmente quando existe pessoas morrendo por conta disto! Milhares de meninas já se suicidaram por terem suas fotos vazadas na internet, isso não é legal, não é “dahora”, não é brincadeira e ponto final. É a mesma coisa que fazer piadas racistas, não é cool! E não consigo entender como as pessoas não conseguem enxergar algo tão claro e obvio. Dito isto vamos para a segunda parte.

“Ser magra agora é crime”…..Tive que colocar alguns pontos pelo meu momento de silêncio para uma frase tão sem argumento, falha em tantos níveis que nem sei como irei/e porque tenho que explicar ela ainda. Mas vou tentar. Vamos para o ponto de que uma pessoa magra não sofre gordofóbia, nem existe um nome para essa “sofrencia” toda que ela passa. Porque simplesmente é ridículo e desproporcional os comentários e as piadas que se é utilizado para pessoas magras e gordas. Principalmente em um mundo aonde o padrão de beleza é sim (quer você acredite ou aceite) ser magro, e ter quilinhos/dobras a mais é visto como algo nojento e sujo. Em um mundo aonde meninas morrem, e entram em anorexia e bulimia (quem nunca ouviu falar da ana e da mia?) por odiarem seus corpos. Sendo que elas são consideradas doenças modernas, porque surgiram a partir do momento em que as mídias no geral/sociedade começaram a impor que isto era preciso para você ser feliz. Não acredita em mim? Tudo bem, vamos aos dados.

25% das mulheres em idade universitária se envolvem em compulsão e ou purgação como técnica de controlo de peso

– A taxa de mortalidade associada à anorexia nervosa é 12 vezes maior do que a taxa de mortalidade associada a todas as causas de morte de mulheres entre 15-24 anos


– As mulheres são muito mais propensas do que os homens a desenvolverem um distúrbio alimentar. Cerca de 5 a 15% das pessoas com anorexia ou bulimia são homens

– As mulheres representam cerca de 90% das pessoas com bulimia

Esses são apenas alguns dados, infelizmente tem mais, muito mais. E eles são de extrema preocupação. Estamos entendidas com isso?  Sim? Então eu vou entrar na terceira parte deste texto que é sobre a minha própria experiência e aceitação com o meu corpo.

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Eu sempre odiei meu corpo desde quando eu me recordo por gente. Eu lembro que com apenas 13 anos eu tinha uma lista de coisas que odiava no meu corpo, eram cerca de 10 tópicos. E meu sonho era de que quando tivesse meu próprio dinheiro iria fazer cirurgias para todos esses “defeitos”. Para vocês entenderem o tamanho da neurose que eu tinha, um dos tópicos era arranjar alguma cirurgia plástica que cortassem os dedos dos meus pés e deixassem eles menores, porque eles são finos e compridos. Com os meus 14/15 me matriculei numa academia porque queria sumir com a minha barriga, engrossar a minha perna, porque elas sempre foram finas e tentar de alguma forma aumentar a minha bunda. Porque sempre tive bundinha, e também não tenho nada de quadril. Depois de três meses desisti. Primeiro porque o resultado não veio, e eu segundo motivo porque eu odiava o clima da academia.

E não pensem que só fiz isso e fiquei relaxada no sofá. Porque durante anos fiz natação, ballet, tênis e até entrei na lista de espera do box, que por sinal eles nunca me chamaram. E quando criança nunca gostei de chocolate e dessas “comidas”, também nunca gostei de refrigerante. Ou seja, tinha uma alimentação balanceada e praticava esportes, era sim uma pessoa saudável. Mas nunca fui satisfeita e feliz completamente com o meu corpo. Ah, eu também não ia a piscinas ou praia se tivesse algum amigo meu ou algum cara que eu estivesse interessada. Lembro uma vez que fui “obrigada” porque viajei com a escola, e fiquei o tempo todo dentro da piscina porque assim ninguém veria meu corpo e quando saia me sentava com as pernas de frente a minha barriga. E isso piorou quando eu entrei na faculdade, pela primeira vez em anos parei de praticar esportes, e comecei a comer porcarias e percebi que ganhei uns kg. Isso calhou bem na época em que eu entrei depressão, eu lembro que cheguei a entrar em sites aonde falavam da ana e da mia. Lá ensinava como se “tornar amigas delas” e ainda por cima dava dicas de como esconder das pessoas ao seu redor o que estava acontecendo com você. Mas entrei na terapia e não cai nessa.

Depois fiz durante um tempo reeducação alimentar que nada mais é do que você não passar fome, se policiar a comer de 3h à 3h horas, e comer comida e não frituras e coisas do tipo. Com isso emagreci 5kg. Fui para a faixa dos 52/50 kg, faixa saudável para o meu tamanho, mas continuava não realizada com o meu corpo. A única coisa boa que essa nova alimentação me trouxe foi me tornar mais saudável em relação a comida, e começar a gostar mais de legumes e vegetais, o que me ajudou muito quando me tornei vegetariana. Mas lembre-se de que ser saudável não é sinônimo de ser magra. É completamente diferente. Pois apesar de eu ser magra, eu sempre lutei contra o meu colesterol, que é super alto. Por conta da genética da minha família. Enquanto isso algumas amigas minhas que tinham o biótipo complemente diferente do meu nunca tiveram esse problema.

Só comecei a aceitar melhor meu corpo quando comecei a entender que ele era assim, o biótipo dele era assim, e ele não iria mudar. Eu não iria ter mais bunda, eu não iria ter mais coxa, e eu também nunca conseguiria ser magra demais, como as modelos por exemplo. E lembram daquela lista que eu tinha feito quando tinha 13 anos? Pois é, ela diminuiu para 2. Isso para mim foi um grande avanço. Porque eu não demorei dias, semanas ou meses. E sim anos para compreender isso e começar a me amar um pouco mais. Afinal, ele é meu corpo, e é totalmente meu.

 
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Mas não pensem que eu estou dizendo que se vocês quiserem começar amar o seus corpos devem necessariamente não querer mudanças nele. Porque como eu mesma disse ainda tenho dois itens daquela lista. Amar seu corpinho não significa que você não quer muda-lo, e sim que você não vai feri-lo ou deixar que as pessoas e a mídia influencie ele!

Atualmente não posso dizer que amo 100% meu corpo, mas posso afirmar que o adoro! E quero mudar um pouco ele, mas não tanto quanto queria há alguns anos atrás. Quero só definir um pouquinho ele e pronto. Nada demais. Afinal, você ama sua mãe, mas ela também tem defeitos e algumas coisas que você queria que melhorassem, não é mesmo? É a mesma coisa quando você ama e aceita seu corpo.

Enfim, sei que esse post ficou grande. Até mais do que eu pretendia, mas espero de verdade que ele tenha esclarecido e quem sabe ajudado vocês. Indico para vocês assistirem o documentário Embrance que fala exatamente sobre esse tema, e leiam também um texto ótimo no blog Girls With Style. E por favor,  não se esqueçam de comentar abaixo falando do que acharam sobre este post, porque ele foi muito especial pra mim. coracao-1_xl

Fontes utilizadas neste post: Globo, GreenMe

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