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Você chega no aeroporto seu estômago está quase saindo para fora de ansiedade, misturado com medo e nervosismo do incerto. Mas também está feliz porque você sabe que há muito tempo tem desejado por isso. E ao mesmo tempo tem outro sentimento batendo a sua porta, dos amigos e familiares próximos que você acabou de se despedir e aquela vontade de voltar e dizer “Ei, vou ficar aqui”. Mas você segue.

No avião, se você for como eu, você só torce para não ter muita turbulência. No meu caso, eu não tive muita sorte, por isso diversas vezes ficava acordando e outra hora voltando a dormir.

Vi somente um filme no avião, Carol, muito legal por sinal, se vocês puderem assistir, assistam. Vale a pena. A comida do avião eu não pude aproveitar muito, já que não coloquei que era vegetariana, eu não sabia que tinha que fazer isso para ter pratos de outras opções sem ser de carne. Então comi pouco, não que isso me prejudicou muito. Pois como eu estava no dia anterior e neste dia super nervosa acabou atacando minha gastrite, e não estava conseguindo comer.

Quando olhei na tela do avião, que mostra aonde ele está e reparei que estava quase chegando na Inglaterra, no mesmo momento me deu um desespero e uma angústia e uma pergunta surgiu em minha cabeça “o que eu estou fazendo?”. Afinal eu vim completamente sozinha, se eu ficar doente não terei a minha mãe para me ajudar, não tenho amigos aqui, não tenho meu namorado aqui, não tenho meus bichos aqui. Resumindo não tenho ninguém a não ser eu mesma. O sentimento que dá nessa hora é de voltar pro lugar seguro e tranquilo que eu estava acostumada. Mas novamente a gente continua, e também tem o fato de que sou taurina né, quando boto algo na cabeça não tiro.

Quando você finalmente chega no hotel depois do cansativo voo e de pegar o metrô com muitas malas. Finalmente o cansaço bate e você dorme, acorda por obrigação, porque tem que comer, tomar banho, e ver todas essas coisas. E o mais estranho de tudo é que não tem ninguém ao seu lado para conversar com você, então você simplesmente escuta seus pensamentos, como se alguém tivesse conversando com você. A vozinha da consciência aparece pra te ajudar e diz coisas como “ eu sei que você está cansada e com sono, mas você precisa comer algo para aguentar o dia seguinte”. E eu paro e me toco que não é a minha mãe que está dizendo isso, algum amigo ou meu namorado e sim eu mesma. É engraçado que eu nunca tive tanto tempo sozinha comigo mesma para ter tempo de ficar escutando meus próprios pensamentos durante um longo tempo, é uma experiência completamente nova.

No domingo já instalada na minha acomodação, já tinha resolvido a metade das coisas e no dia seguinte teria que ir na escola fazer o teste de nível, e não tinha ninguém do meu lado para eu poder compartilhar meu nervosismo e a minha ansiedade, só pelo celular e redes sociais. Mas nessas horas, nesses momentos não é a mesma coisa. Na noite deste dia veio um sentimento de solidão horrível, comecei a me perguntar o que tinha feito, e se essa era uma decisão certa. Dormir mais uma noite sem meus bichos do meu lado doí de verdade. Como dizem casa não é um lugar e sim seres vivos. Mas conversei com um outro amigo que também está nessa, há mais tempo do que eu, e eu pude relaxar um pouco.

Após alguns dias, depois dos meus primeiros dias na escola de inglês o que eu posso afirmar é que a vergonha, travamento e gaguejamento que eu tinha por falar em outra língua vai embora. Porque não vai ter alguém para falar por você, resolver seus problemas ou te ajudar. Então você tem que falar, e a cada dia mais você vai relaxando e se acostumando em falar em inglês. Mas tenho que admitir que ainda tem dias que da um leve friozinho na barriga antes de sair do meu quarto, fico com medo de falar algo errado ou alguém não me entender. Mas logo penso “nunca mais verei essa pessoa mesmo.”

Aqui estou com pessoas de diversas nacionalidades e o que eu posso falar até agora é que os asiáticos são os mais simpáticos, acabei me dando muito bem com uma coreana, gostamos das mesmas coisas e surpreendentemente ela é a única pessoa de todo mundo que conversei até agora (incluindo ingleses) que assiste e gosta de Game Of Thrones. Também não entendo isso.

O lado bom daqui é que por estar em outro país e também longe de outras pessoas não tenho que escutar pessoas me repreendendo por causa do meu cabelo, por exemplo, ou por causa das minhas tatuagens. Isso é encarado como algo natural, afinal o que cada um faz com seu corpo é de sua autonomia. Mas em compensação o assédio na rua vem quando você, mulher, está sozinha, o que eu acho pior, já que é quando você se sente mais vulnerável, isso mostra de certa forma que os caras aqui tem vergonha de assediar quando você está com alguém, mas se sentem mais seguros quando você está sozinha..preocupante.

Em uma semana aqui você aprende dar mais valor para o Brasil e seus amigos do que anos morando ai, tu não faz ideia, eu juro. Só nesta semana toda vez que eu conto da onde sou as pessoas adoram saber, e sempre falam “everyone loves Brazil”. Outro dia eu estava escolhendo um lanche com uma amiga que também é brasileira, e nesse dia eu estava morrendo de saudades de falar em português, porque só estava falando em inglês desde quando cheguei praticamente. E atendente do pub virou e falou “ que língua vocês estão falando?” respondemos e logo ela falou “ eu não entendo nada, mas sooa tão lindo”. E aqui não tem “bicha pague meu dinheiro”, também não tem “tranquilo e favorável”, e como minha amiga disse para mim neste dia, quando ela fez a dança deste último as pessoas daqui perguntaram se ela surfava. WTF? São essas pequenas coisas que fazem tu ver que o Brasil e as pessoas dai são realmente especiais, apesar de todas coisas ruins que tem acontecido.

Para finalizar este primeiro texto que acho que está enorme, é que se em apenas uma semana eu senti e vivi todas essas experiências imagina o que mais está por vir.








4 thoughts on “Chegando em Londres, primeiros dias, primeiras impressões

    1. Sim, vou ficar aqui até final de dezembro ou começo do ano que vem. E que bom que gostou do meu post, estava com medo de como ele poderia sair. 🙂 Terá mais posts e vídeos!

  1. Helena, você tem a coragem que quero ter! Imagino como deve ser complicado o fato de deixar quem gosta um pouco de lado pra seguir o seu coração, pois é o que mais me assusta… Te desejo super boa sorte por aí, sei que terá momentos únicos! Conta pra gente as impressões que você ter sobre as pessoas e lugares que for conhecendo💕 te admiro linda!😘

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