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Pressão.

Pressão de nunca ser auto-suficiente, de nunca chegar lá, com o emprego que sempre desejou, e com a vida que sempre sonhou. Pressão de ter apenas 20 e seus poucos anos, alguns beirando aos 30 e ainda sim depender de outros para conseguir viver. Pressão que cada vez mais chega mais cedo, batendo na porta dos jovens.

O que será das próximas gerações? Com apenas 15 anos terão que ser super sucedidos e saber o que querem com a própria vida? Vejo e conheço pessoas de seus 50 ou 60 anos que ainda não se encontraram e o tempo já passou para eles.

Que sociedade é essa? Onde temos que escolher apenas uma área em específico, e trabalhar nela o resto das nossas vidas.

Viver pra ganhar dinheiro, comprar coisas que quando morremos continuarão sendo apenas coisas. Viver para ser auto sucedido, comprar, gastar e mostrar pro outros que finalmente vencemos a pressão, mesmo que por dentro nossas almas estejam gritando por liberdade.








 

Durante muito tempo eu acreditava fielmente que não me encaixava no Brasil, simplesmente, por ser mais quieta e na minha. Não ir em todos os almoço de família, e nem ser daquelas que curte festa, folia e pular carnaval durante todos os 7 dias. Enfim, todos esses estereótipos que sempre escutamos dentro da nossa própria sociedade do que forma um “real” brasileiro. E  cá entre nós escutamos estes mesmos adjetivos aqui fora também.

Durante muito tempo eu tentei me encaixar as estes estereótipos, a minha adolescência toda até os meus 19 anos mais ou menos, eu usava roupas e meu cabelo de forma que acreditava que era mais aceitável. E até a maneira de me portar e meus pensamentos eram desta forma. Até que um dia eu parei. Comecei a fazer com o meu corpo o que eu sempre quis, fazer com o meu cabelo o que sempre tive vontade, usar as roupas que eu sempre queria. Comecei a ler, pesquisar e me aprofundar em temas que sempre me despertavam dúvida e ninguém conseguia tirá-las para mim. Enfim, comecei a ser eu mesma.

Foi exatamente aí que me senti mais excluída ainda. Fui taxada com vários novos estereótipos. Surgiram pessoas falando que eu não parecia ser do Brasil, como se isso fosse elogio, me chamavam de “gringa” e tinha outras pessoas falando (querendo me botar pra baixo) com comentários do tipo: “por que você fez essa tattoo?” ou ” por que você fez isso com o seu cabelo? Vai cair, hein!” e por ai vai. Nessas horas eu sempre utilizava o grande e maravilhoso “foda-se”. Afinal a gente só tem essa vida e estamos nela para sermos felizes, e não sabemos o dia de amanhã, então vamos aproveita-lo o máximo e fazer o que bem entender das nossas vidas e respeitar o próximo.

Porém, depois que eu vim pra ca (Inglaterra) e essas questões voltaram a minha mente. Parei e pensei “mas o que é ser brasileiro?” ou melhor..” o que é ser latino americano?”. Vejamos, o Brasil é um país raízes indígenas, uma cultura extremamente rica e completamente diferente, nossas frutas e muitas de nossas palavras vem graças a eles, a nossa população asiática no Brasil cresce 173% , o Brasil é o país com mais pretos depois do continente Africano, e foi construído por imigrantes não só da Europa, mas também por nossos países vizinhos como Bolivia, Paraguay e Argentina.

Então, você para vê tudo isso, toda a nossa história e realmente acredita que brasileiro é uma única coisa só? 

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A gente está e existe em diversas formas, tamanhos, jeitos e escolhas. E temos o nosso diferencial, que a Europa e os Estados Unidos não tem. Estamos misturados. Somos misturados. A gente é latino e existimos de todas as formas aqui e não dentro de uma única caixinha chata. Graças.

Já aqui em Londres é bem raro você ver isso, mesmo a cidade sendo mais pra frente e aberta, não é como no Brasil ou qualquer país da America Latina que temos essas misturas de raças e que deixa tudo mais lindo. Vou dar um exemplo simples, aqui eles tem uma “chinatown”, e é apenas uma única rua. Enquanto em São Paulo (minha cidade) tem dois bairros asiáticos, Liberdade e Bom Retiro.

Aqui não existe essa de “to aqui perto da sua casa, posso passar ai?”, ou almoço de domingo com a família, ou de dormir na casa do seu amigo quando ta tarde. Ou até mesmo de falar tudo que você acha na cara do seu amigo quando você está bravo. A bela sinceridade.

Eu nunca entendia quando meus amigos que moravam fora, e quando iam me visitar no Brasil, falavam pra mim as amizades daqui parecem ser mais verdadeiras” ou ” brasileiro parece realmente saber viver“. E vou contar mais. Uma pequena história. No meu primeiro dia em que cheguei aqui no avião conheci uma mulher que sentou ao meu lado e ela era inglesa, mas morava na Argentina já fazia uns 4 anos. E quando eu perguntei o porque disso ela simplesmente falou que os ingleses não sabiam viver. Completou dizendo que na  Argentina e as pessoas da America Latina (porque ela já tinha viajado praticamente a America Latina toda) sabiam viver cada dia de cada vez, o presente, e tinham o famoso “calor”, que nada mais é do que empatia.

E não era a primeira pessoa a falar isso para mim, sabia? Minha avó, no caso a minha abuela, já que ela veio da Espanha junto com o meu abuelo, sempre dizia que nunca mais iria voltar para lá, só para visitar. Porque realmente gostava das pessoas do Brasil. E na Espanha as pessoas não são tão próximas como são aqui, e não se ajudam, etc. Porém, eu sou cabeça dura (taurina), ou simplesmente prefiro vivenciar e ter as minhas próprias experiências para chegar as minhas próprias conclusões. E depois de quase 6 meses aqui..não é que todas essas pessoas, e todos os vídeos e textos que vemos das pessoas falando da America Latina estavam certos?

Não adianta você ter a melhor educação e ser a pessoa mais simpática do mundo se você não tem empatia. Isso nasce com você. A gente, da america latina, sofreu muito e ainda sofre. E não sei se é por conta disso ou exatamente o porque, mas não tem pessoas como nós. Você pode até procurar, mas somos únicos. 








 

Olá, tudo bem com vocês? Hoje vim ter um bate papo com vocês sobre um tema que vocês escolheram. Sobre cursos, faculdades, profissão e sobre essa pressão que temos que escolher certo terminado curso que ira definir o resto das nossas vidas.

Contei um pouco da minha experiência própria e tentei dar dicas. Espero que ajudem vocês e espero escutar um pouco da opinião e história de vocês 🙂

Texto que citei no vídeo

Tudo sobre o Curso de Jornalismo








 

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Fazia muito tempo que queria escrever este texto, porque quando vim viajando ( e todo mundo que vem viajando) acha que Londres não tem nada a ver com São Paulo. Mas se você é paulista e decide morar aqui na capital inglesa por um tempo não demora a perceber que as duas cidades tem muitos pontos em comum sim!

As duas levam muito a sério a palavra ¨trabalho¨, as pessoas sempre estão com pressa mesmo se não tem nada para fazer, sempre tem coisas para fazer na cidade, tem eventos culturais, museus, etc.  Não páram nunca, têm um trânsito bem ruim e também um céu cinza e um clima louco igual! Sim, chove e faz calor no mesmo dia.

Já que vim viajando duas vezes para cá e estou cerca de 4 meses aqui, resolvi fazer comparações de bairros paulistas e londrinos que acho super parecidos. Creio que esse post pode tirar a curiosidade de vocês e ajudar quem está vindo viajar para cá ou para São Paulo. 😀

Soho e Camden Town // Baixo Augusta e Galeria do Rock
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Começando pelos meus lugares favoritos tanto em Londres como em São Paulo. Se você quer baladas alternativas, com as gays coracao-1_xl , muitos bares, gente bêbada pelas ruas e uma vibe mais noturna, curte o Baixo Augusta. Pois em Londres, Soho e Camden Town tem essa pegada.

Soho pode ser posh com restaurantes caros ou turística por causa dos musicais, porém é um bairro gay de Londres. Tipo uma Frei Caneca. Camden Town é mais rock, e tem lojas bem diferentes, por isso me lembra muito a Galeria do Rock de São Paulo, tem lojas muito parecidas. Mas em Camden também tem pubs, Amy Winehouse ia muito lá.

Shoreditch // Vila Madalenashoreditch
 Um bairro com bares e restaurantes badalados da moda, lojinhas de design, tentando manter uma aura fofa e local, mas que na verdade, de local na verdade tem pouco? Shoreditch é Vila Madalena. De dia, muitas lojas com produtos mais descolados e à noite, bares e restaurantes bombando de gente e bêbados barulhentos nas ruas. Tanto como a Vila Madalena não frequento muito esse bairro, sou mais Camden e Augusta.

City of London // Av. Paulista e Faria Limacity

A City of London é o bairro onde trabalha o pessoal engravatado do mercado financeiro e praticamente é a única região de Londres que você vai ver prédios realmente altos, como Londres é uma cidade bem mais velha que São Paulo, não tem tanto edifícios como SP. E este bairro é bem novo. Ah, vale lembrar que como esse bairro é o mercado financeiro quando as bolsas fecham todos vão para o happy hour em algum pub. Em São Paulo, a Av. Paulista e Faria Lima são as áreas que mais se parecem com a vibe da City.

Final de semana, o bairro londrino fica às moscas, sem quase nenhuma alma viva caminhando. Não é o caso da Paulista, mas a Faria Lima fica bem tranquila nos finais de semana (tirando a parte do Iguatemi, claro).

Marylebone e Mayfair // Jardinsmayfair

A lista de bairros para se fazer compras, digamos compras caras, tem diversas. As Oscar Freire da capital britânica podem ser a Marylebone High St (Marylebone) ou Bond St (Mayfair) e a mais lojas maisbaratinhas para nós meros mortais é a Oxford Street (recomendo vocês irem lá). Com a diferença que essas ruas em Londres concentram muito mais lojas de luxo e ricos de todos os lugares do mundo querendo gastar. Podemos adicionar nessa comparação os bairros de Belgravia, Kensington e Chelsea facilmente.

Como era de se esperar, nesses bairros de Londres moram muitas celebridades, como nos Jardins em São Paulo. Outro bairro de Londres onde vivem os famosos é Primrose Hill. Nos anos 90, era onde todas as cool celebrities de Londres moravam.

Dalston e Stoke Newington // Santa Cecíliadalston

Bairros “novos” aonde jovens estão modernizando e deixando com caras de hipsters podemos dizer assim. Para lá, levaram seus cafés nórdicos, suas lojas de design, casas de hambúrguer e seus mercados orgânicos. Por isso, Dalston e Stoke Newington, em Hackney, estão mais para Santa Cecília. A diferença é que enquanto em São Paulo, os jovens criativos vão em direção ao centro em busca de lugares mais baratos, em Londres o movimento é todo ao contrário: cada vez mais longe do centro da cidade. Isso se deve porque não tem mais lugar no centro de Londres.

Essa foi a minha seleção, tem muitos mais detalhes em comuns que só você morando aqui você consegue perceber, mas espero ter conseguido ter passado um pouco através deste texto. 🙂

 

Fonte: Almost Locals








 

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Quem me conhece sabe que uma das minhas maiores vontades da vida sempre foi morar fora e ter meu próprio apartamento.  Só que conforme fui crescendo, viajando e principalmente agora, que estou aqui, no meu intercâmbio, prestes a completar 4 meses. Percebo cada vez mais que a felicidade plena só é possível quando estou acompanhada com pessoas de quem eu gosto.

Reparei que não adianta você estar no melhor país do mundo, até porque isso não existe, porque todos os países/cidades tem suas qualidades e defeitos, sem quem você gosta do lado.

E vamos supor o seguinte. Que existisse uma cidade perfeita, onde não tivesse violência, onde todo mundo frequentasse a escola, todo mundo tivesse acesso a saúde e todo mundo tivesse as mesmas chances. Um lugar onde a qualidade de vida é maravilhosa e os animais e a natureza fossem livres e respeitado. Nada disso iria te completar se você não tivesse alguém com quem dividir isso.

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É o mesmo sentimento de quando você vivência suas vitórias e seus fracassos. Naturalmente você sente a necessidade de contar para alguém que é proximo a ti. Pelo menos para mim é assim. E quando eu não o faço me sinto completamente só. A melhor parte de todos os seres vivos é ter companhia e não sei porque o ser humano é o único que gosta de ter atitudes egoístas e achar melhor não demonstrar isso.

A gente não nasceu pra ficar sozinho e ponto, e não estou falando só no sentido romântico da coisa.

Quando a minha mãe veio me visitar matei a saudade dela rapidinho, porque com família geralmente é assim. Mas quando ela foi embora deu um aperto sim! E agora que meu namorado passou quase um mês aqui comigo e acabou de ir embora foi pior ainda. Porque a gente começa a se acostumar novamente com essas pessoas na sua rotina, e na sua vida.

E quando você passa nos mesmos lugares que antes você estava com certa pessoa só que agora você esta sozinha ou com outra pessoa nunca é a mesma coisa, nunca é o mesmo sentimento, tudo muda. Nessas horas você percebe que lar não é casa, não são coisas, lugares, países… nada disso. E sim seres vivos.